Rock progressivo com ares de cinema

Rock progressivo com ares de cinema

Sonia Racy

18 de fevereiro de 2015 | 01h00

Banda Dônica (Foto Ricardo Gama/Estadão)

Domingo de carnaval, pouco antes das nove da manhã, Vincent Cassel chega – sozinho, de moto – à casa de Paula Lavigne. Iam cuidar da filmagem do clipe da música Bicho Burro, da banda Dônica, da qual faz parte Tom, filho de Paula com Caetano Veloso.

O ator e diretor francês – que vai dirigir um longa usando o carnaval do Rio como pano de fundo – ficou encantado ao assistir a um show da banda e propôs fazer com ela um clipe ambientado no período da folia. Paula abraçou a ideia e colocou sua fiel equipe à disposição. “Foi ótimo para todo mundo. Para o Vincent, porque é um exercício, um workshop. Para nós, nem se fala, uma grande oportunidade, porque ele tem elementos de dramaturgia, não é só um diretor que se importa com o visual”, conta ela à coluna, que acompanhou um dia da filmagem.

A produção plantou base na casa da empresária, onde a equipe e uma trupe de adolescentes – era o elenco – ficaram reunidos. Fellipe Veloso cuidou do figurino do pessoal – todo mundo entre 16 e 18 anos. Sérgio Maciel foi responsável pelos atores. Às nove em ponto, a banda foi montada em frente a um quiosque na praia de Ipanema, onde Cassel começou a dar instruções aos garotos sobre como se movimentar, tocar, se divertir. Curiosos pararam para ver, turistas foram afastados, e no fim o diretor vibrou, terminando com um grande “u-huu!” e palmas.

A produção, relata Paula, foi digna de cinema, com quatro câmeras e elenco formado por atores e não atores. O roteiro fala de um garoto que só faz besteiras no carnaval, e a filmagem aconteceu na praia, entre dois blocos que passaram pelo bairro – Banda de Ipanema e Simpatia É Quase Amor. “Estamos filmando em esquema de guerrilha”, comparou a empresária. Eles entraram nos blocos gritando “é filmagem!” – senão, explica, “acontece como ontem, quando a polícia bateu em um ator achando que ele estava bagunçando, mexendo com as meninas”.

A banda nasceu da união de alguns amigos de escola. “Não tem nenhuma celebridade aqui. São músicos, estudam oito horas por dia e tocam vários instrumentos. Dois deles acabaram de passar no vestibular de música, na UniRio.” Tom Veloso, 18 anos, entrou na faculdade de Comunicação. “Puxou ao pai, gosta de escrever, faz letras ótimas”, comenta Paula. Mesmo elegendo como gênero o rock progressivo, escolheram como padrinho Milton Nascimento. “Eles têm influência forte do Clube da Esquina, o que deixa todo mundo, inclusive Caetano, muito orgulhoso”, finaliza a mãe.

Depois da filmagem, a banda entra em estúdio para gravar seu primeiro disco, a ser lançado em abril. /MARILIA NEUSTEIN

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: