‘Mensalinho’ apontado por Wesley enerva exportadores de carne

‘Mensalinho’ apontado por Wesley enerva exportadores de carne

Sonia Racy

14 Julho 2017 | 01h00

WESLEY BATISTA

WESLEY BATISTA. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

A revelação de um “mensalinho” que chegou a R$ 20 mil por fiscal sanitário, pago pela JBS – conforme publicou ontem o Valor –, levou exportadores de carne a um ataque de nervos.

Seriam 200 fiscais, segundo a delação de Wesley Batista. As perguntas: quantos deles assinam certificados de exportação? Os importadores vão aceitar a assinatura desses “delatados”?

‘Mensalinho’ 2

O Ministério da Agricultura não soube informar o total de fiscais, num universo de 2,7 mil, que atuam no setor de carne. Nem o número dos que se limitam a certificar a qualidade na exportação.

Dura, a carne

Para o pecuarista e ex-secretário do Ministério da Agricultura Pedro Camargo, “a Operação Carne Fraca é de março, depois veio a Carne Fria e agora esta delação – e estamos em julho”. O processo, desgastante, colocou o setor numa crise. “São problemas que não destroem a qualidade do produto brasileiro mas destroem a credibilidade das instituições que deveriam garantir essa qualidade”.

Segundo Camargo, o governo está demorando a apresentar sua resposta.

As contas para Lula

manter sua candidatura

À parte os palpites sobre se Lula ficará inelegível antes das eleições, tanto o MP quanto a defesa do ex-presidente trabalham, em Curitiba, de olho nos números e no calendário.

Até agora, de 48 acórdãos da Lava Jato, há cinco casos em que o TRF-4 absolveu réu que Moro havia condenado. Um foi João Vaccari Neto.

As contas para Lula 2

E o calendário? “Não creio que os três juízes do caso mudem o ritmo por causa do interesse político-eleitoral de um réu. O prazo médio para decisão é de 12 a 18 meses e vai ficar nisso”, resume o advogado Antonio Basto, que atua com envolvidos na Lava Jato.

As contas para Lula 3

Se Lula se candidatar, qual o limite para torná-lo inelegível? “É o último dia útil antes da eleição – 5 de outubro de 2018. Ou, se houver segundo turno, 26 de outubro”, avisa o ex-juiz Márlon Reis, “pai” da Ficha Limpa.

“Até esse dia, a decisão final do TRF-4 contra uma candidatura, seja a de Lula ou de qualquer outro, já deverá estar publicada”. Depois disso, sendo eleito, o candidato toma posse.