Réveillon: Governo da Bahia desautoriza municípios

Réveillon: Governo da Bahia desautoriza municípios

Sonia Racy

20 de novembro de 2020 | 00h50

O governador da Bahia, Rui Costa. Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

O governador Rui Costa publicou essa semana decreto proibindo aglomerações e festas de fim de ano em toda Bahia por causa da crise da covid-19. Mas pelo que a coluna apurou, essa atitude pode virar briga jurídica, entre o estado e vários municípios que já liberaram eventos.

Os resorts preferidos pelos paulistas estão sendo preparados para promover comemorações de réveillon. A Prefeitura de Porto Seguro, por exemplo, autorizou realização de festas de fim de ano e trabalha com quase 40 pedidos para tanto. A condição? É proibido promover aglomeração e utilizar mais de 60% da capacidade dos espaços.

Em Trancoso, a confusão já estava instalada antes do veto geral de Costa. Moradores e donos de casas locais estavam e ainda estão apavorados com a perspectiva de que amontoado de pessoas, resulte em contaminação generalizada. Se houver novo surto, “os turistas vão embora e é a gente que fica com o problema”, destaca fonte local.

Por outro lado, os responsáveis pelas baladas acreditam que mesmo se as festas com convite pago não acontecerem, os turistas vão festejar, recebendo grupos grandes, em suas casas. “O que dá na mesma, se formos pensar em termos de saúde pública”, coloca conhecido organizador de festas. A mais tradicional, a do Taipe, por exemplo, recebe 3 mil pessoas a cada ano e os convites são disputados a tapa, vendidos muitas vezes no mercado negro por R$ 4 mil cada.

Os produtores das festas se deram até dia 5 de dezembro para definirem o que fazer e como. Eles avaliam que a prefeita de Porto Seguro, Cláudia Oliveira, do PSD, estabeleceu condições que engessam e muito a folia.

No seu Instagram, Cláudia se define como uma “chamada por Deus para a missão de servir a uma população”. Talvez aí resida a fé de que o coronavírus não se espalhará pelas festas “sem aglomerações”.

Arraial da Ajuda e Caraíva, também comandados pela prefeita Cláudia, entraram no pacote de autorizações.
Conforme o último boletim da Secretaria Estadual de Saúde, a região administrada por Porto Seguro registra 3.607 casos de Covid-19, com 68 óbitos.

Já na pacata Santo André, perto de Ilhéus, a chamada é a virada Da Vila. Marisa Orth, Mateus Solano, Christiane Torloni e alguns paulistas que lá têm casa estão tentando cancelar o evento. Do outro lado, moradores locais defendem as festas pois precisam dos recursos que elas trazem.

Recentemente, houve discordância entre governo e a prefeitura de Salvador na questão da volta às aulas. Negociações feitas, ambos chegaram a um consenso. Salvador vai também reclamar dessa vez? Não, ACM Neto também vetou festas.

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