Cúpula em Cabo Verde não discutirá resgate dos brasileiros presos

Cúpula em Cabo Verde não discutirá resgate dos brasileiros presos

Sonia Racy

11 Julho 2018 | 01h00

DANIEL (AO CENTRO) E RODRIGO (ESQ.). FOTO A TARDE

O Brasil não vai incluir na pauta da cúpula da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, que começa dia 22, em Cabo Verde, a absurda condenação de dois velejadores brasileiros – Daniel Ribeiro Dantas e Rodrigo Dantas (que, apesar dos nomes, não são parentes).

Ambos pegaram dez anos de prisão, em março passado, por transportar um veleiro do Brasil até Cabo Verde, o Rich Harvest, do inglês George Saul. Este, na última hora, resolveu não embarcar com a tripulação, contratada por uma empresa holandesa.

Flagrante e prisão
sem defesa 

Ao chegarem ao destino, eles foram surpreendidos pela policia, que abordou o barco e foi direto ao casco. Ali, conseguiu achar mais de uma tonelada de cocaína. Os dois foram presos em flagrante.

Segundo Moysés Pluciennik, que conhece os jovens – os dois trabalharam para ele, que é dono de veleiro –, de nada adiantou relatório da PF brasileira apontar vários fatos a favor de ambos, inclusive o de que haviam sido contratados três meses após uma reforma do barco. “Eles não tinham como saber”, avisa o empresário, que tenta ajudar os jovens desde que foram encarcerados.

PF ignorada

Por que o relatório da PF brasileira não foi levado em consideração pelas autoridades de Cabo Verde? No julgamento, o promotor afirmou, e colocou em papel, que a PF brasileira “não merecia crédito” e que aquele documento “havia sido encomendado pela defesa dos réus”.

Vale registrar que a polícia de Cabo Verde sequer intimou o dono do barco. E que o representante do Itamaraty no local simplesmente disse que “ia ver” o que poderia fazer – se o Brasil iria responder ao ataque à sua polícia.

No Planalto

Pluciennik procurou os ministros Aloysio Nunes e Raul Jungmann e estes lhe disseram que iriam agir. Indagado, o Itamaraty afirmou que a Embaixada brasileira “tem prestado a assistência devida” aos detidos. E que essa questão não pode ser tratada na cúpula da CPLP “por que não é de interesse comum dos países do grupo”.

Detalhe: a tonelada de cocaína apreendida no veleiro foi incinerada sem nenhum testemunho de representante legal dos velejadores.

 

Leia mais notas da coluna:

Afif, Flavio Rocha e Paulo Rabello criam grupo de resistência a ‘oligopólio político’

Conselho de Malala: ‘Nunca desistir’