Respeitada cirurgiã de 91 anos vence o coronavírus após 50 dias na UTI

Respeitada cirurgiã de 91 anos vence o coronavírus após 50 dias na UTI

Sonia Racy

11 de maio de 2020 | 19h52

Médica Angelita Habr-Gama – Foto: Ayrton Vignola/ Agência Estado

Onde a senhora acha que pegou a covid-19? “Foi em uma festa, há quase dois meses, quando a pandemia não tinha essa força. Tinha muita gente”, conta à coluna, por celular, a conceituada médica Angelita Habr-Gama, que, aos 91 anos, teve alta neste domingo, “sem nenhuma complicação”.

A médica lamentavelmente sofreu também outro tipo de ataque nesses 54 dias de internação: o da fake news, nas mídias sociais, dando conta de que havia morrido. “Quero agradecer a toda equipe médica, de colaboradores, a equipe multidisciplinar do Oswaldo Cruz. Quero agradecer a força dos amigos e colegas, porque isso ajuda muito”, frisa, elogiando o hospital onde ela detectou o vírus, se internou, onde sempre trabalhou e trabalha.

Quando a senhora volta a atender? “Acredito que na semana que já terei condições”, pondera, contabilizando os 50 dias diretamente internada na UTI e outros quatro em quarto normal, antes de receber alta. Quais sintomas da doença a senhora teve antes de ser diagnosticada? “Não tive febre, tosse ou perda de olfato, só muita, mas muita dor pelo corpo inteiro, algo insuportável”, lamenta a experimentada cirurgiã, reconhecida internacionalmente por sua atuação na área de coloproctologia e trabalho como pesquisadora.

Quais foram seus pensamentos nesta internação na UTI? A senhora acreditava que ia vencer o vírus?  “Olha, quando a gente está na UTI, não pensamos em nada. Quando sai, tive certeza que tinha ganho a briga”, conta a paciente, que conforme comunicado do hospital emitido no domingo à noite, “ tem significado especial para todos nós do Oswaldo Cruz e para todos os profissionais da saúde”.

Ainda segundo o comunicado, Angelita trabalha no hospital desde 1960 e “é uma referência para todos nós. Vê-la curada, depois de uma intensa batalha contra o vírus, renova nossa confiança na medicina, na ciência, na luta para salvar vidas e traz imensa alegria a todo o corpo clínico e assistencial da instituição”.

O que a senhora recomenda para a população brasileira? Não saiam de casa, esse vírus não é brincadeira”.

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