“Regina foi traída pela segunda vez por Bolsonaro”, diz Carlos Vereza

Sonia Racy

22 de maio de 2020 | 00h59

CARLOS VEREZA E REGINA DUARTE. FOTO: CINEMATECA/REPRODUÇÃO

Regina Duarte chega à Cinemateca Brasileira sem cargo definido e com a instituição agonizando. Contas de luz, que em média custam R$ 150 mil por mês, estão atrasadas, débitos de folha de funcionários se acumulam, e até a unidade principal, na Vila Clementino, tem seu alvará em processo de renegociação com a Prefeitura de SP, a quem pertence o terreno.

A Acerp – Associação Roquette Pinto, que gere a Cinemateca – tem esperança, segundo a coluna apurou, de que “Regina abrace a causa”. O MEC, ano passado, rompeu o contrato de gestão com a Acerp e já deve R$ 11 milhões à entidade.

Indagado a respeito, Carlos Vereza – amigo de Regina e agora ex-eleitor de Bolsonaro – a ex-secretária foi “traída pelo presidente pela segunda vez” com a nova nomeação. A primeira, quando a atriz passou dois meses na Cultura e “ele não liberou um tostão pra ela trabalhar”. E agora “não faço ideia que cargo Regina pode ocupar, porque ali é lugar de técnicos em audiovisual. Mas desejo que ela encontre alegria, tenho mandado mensagens pra ela”.

A última vez que estiveram juntos foi na posse da então secretária, em Brasília. Antes, Vereza entrevistou a atriz, na Cinemateca, para seu programa Plano Sequência (TV Escola) dedicado a Olga Futemma, mais antiga funcionária da instituição e atual coordenadora. Justamente sob quem se especulava, ontem, que Regina entraria no lugar. Vereza não acredita. “Posso garantir que dona Olga não sai”. E torce para que a amiga atriz não demita ninguém.

Expectativa com a gestão Mário Frias, novo secretário da Cultura? “Não posso ter. Ele tem visão cultural muito alinhada ao bolsonarismo”. Por outro lado, faz apelo que cuidem da conta de luz, porque a Cinemateca é refrigerada 24 horas “e temem um quinto incêndio”. A Cinemateca custa R$ 13 milhões ao ano. Neste 2020, não recebeu qualquer repasse do governo federal. \CECÍLIA RAMOS

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