Recriar é preciso

Sonia Racy

16 Dezembro 2014 | 01h00

Atento às rápidas mudanças que ocorrem no mundo da comunicação, o presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, decidiu bancar um estudo sobre o futuro do setor. O resultado é um pacote de mais de 150 entrevistas com profissionais do Brasil e de fora: The Communication (R)evolution, trabalho coordenado pela cineasta Flávia Moraes, a ser divulgado hoje. A meta central da investigação: “Entender e assimilar a reinvenção do mundo”.

De onde surgiu essa ideia?
Da nossa inquietação diante das mudanças no setor. Ninguém tem respostas prontas para as grandes perguntas, e tampouco tínhamos uma noção precisa do que estávamos buscando. Por isso, decidimos ouvir as pessoas que mais pensam e atuam nessas transformações em diversas áreas e regiões do mundo. Criamos, assim, conteúdo puro, cheio de valor, que, agora, compartilharemos com universidades, empresas e profissionais do setor e com o público, para construirmos um diálogo que abra caminhos e possibilidades.

O que mais lhe chamou a atenção nas entrevistas? Há um norte a ser seguido?
É preciso estar sempre em construção, em constante estado de experimentação. Além de desejado pelo público e pelos profissionais, esse estado beta cria ambiente para inovação, participação e autenticidade. Concluímos que as oportunidades são imensas para as empresas de comunicação que criam conteúdos relevantes – mas é preciso coragem e disposição para mudar modelos consagrados e buscar novos propósitos, novas linguagens.

Quanto a RBS investiu neste projeto?
Foram R$ 2,5 milhões nesta primeira fase de entrevistas no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo a plataforma que reunirá os vídeos. Entraremos, em 2015, numa segunda fase de captação, ainda no Brasil, mas também na Europa e na Ásia. Devemos dobrar o investimento até 2016.

É comum vocês fazerem esse tipo de levantamento?
A RBS tem tradição de inovar e buscar novos caminhos. Mas esta pesquisa, da forma como a fizemos, é uma resposta a esse ambiente em transformação. Já percebemos como essa investigação e esse diálogo revigoram o nosso grupo. Isso tudo anima jornalistas, comunicadores e gestores.

O que difere o Brasil dos países de Primeiro Mundo no que se refere à comunicação?
O Brasil já foi muito diferente dos países mais desenvolvidos, mas uma característica da comunicação, hoje, é que ela cria enorme acesso e oferta de informação e conteúdo. As oportunidades e os desafios nos EUA, na Europa e no Brasil são semelhantes na comunicação, por isso aprendemos muito ouvindo autoridades no assunto de diversos países.