Recorta e cola

Sonia Racy

13 de fevereiro de 2014 | 01h00

Um dos mais importantes pintores figurativos dos últimos 40 anos, David Salle aterrissa amanhã em São Paulo para participar da abertura de sua primeira exposição no País, na Galeria Mendes Wood DM. 

Entre suas muitas obras, Salle escolheu exibir os mais recentes trabalhos: colagens. O artista norte-americano respondeu perguntas da coluna por e-mail.

Por que colagens?

Colagem é tanto um substantivo quanto um verbo. Fazer colagem é agrupar pedaços e construir um novo “todo”. Isso é o início de um longo caminho para a compreensão do meu trabalho, ou do modo em como indivíduos vivem suas vidas. Afinal, estamos sempre juntando fragmentos. Eles são a base de inúmeras obras de arte. Até Watteau (pintor francês dos anos 1700) era uma espécie de reorganizador de imagens existentes. A colagem como método é a forma de trazer justaposição para o centro do trabalho, o que pode gerar um novo contexto – que, por sua vez, produz, em segundo plano, a surpresa e a admiração.

Essa série envolve referências icônicas dos anos 1960.

As imagens da década de 1960 realmente funcionam nessa série. Um dos motivos é a “distância” entre elas e os dias de hoje. Não fazem mais parte do nosso mundo, mas não desapareceram completamente. Em algumas das colagens, uso também meus desenhos, fotografias e outros elementos criados recentemente. Gosto da ideia de incorporá-las.

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