Negar golpe ‘é desconhecer a História’, diz Reale Jr.

Negar golpe ‘é desconhecer a História’, diz Reale Jr.

Sonia Racy

07 de abril de 2019 | 01h00

MIGUEL REALE JUNIOR. FOTO: IARA MORSELLI/ESTADÃO

MIGUEL REALE JUNIOR. FOTO: IARA MORSELLI/ESTADÃO

Back to 1964

O jurista Miguel Reale Jr., que foi coordenador da Comissão de Mortos e Desaparecidos, se diz “desolado” com a possibilidade de o MEC – com ou sem o ainda ministro Vélez Rodriguez, que pode deixar o posto nesta segunda-feira – levar adiante a ideia de reescrever os livros de História do Brasil, para negar que tenha havido um golpe militar em 1964. “É uma ofensa à realidade. Ignora que as eleições presidenciais de 1965 foram canceladas, que lideranças políticas  foram cassadas por todo o País e a oposição dizimada.”

Reale Jr. pondera, ainda, que os livros atuais têm autores – e o ministério não pode obrigá-los a alterar seus textos. Quanto a Rodriguez, o ex-ministro da Justiça sugere que ele “escreva o seu próprio livro e assuma a autoria”.

Em segredo?

Depois das polêmicas com Paulo Guedes na Câmara, a ida de Sérgio Moro debater com o Grupo de Trabalho o pacote anticrime – na terça – desperta cuidados especiais.

Até a sexta-feira havia parlamentares avaliando… se a conversa deveria ser mantida a portas fechadas ou não.

Patinando

Luís Roberto Barroso, autor de uma proposta para reduzir o estoque de processos do STF, manifestou preocupação à coluna: grande parte de sua equipe no Supremo trabalha em processos em que a decisão de origem deve ser mantida. Ou seja, não precisariam ser apreciados pelo tribunal.

Quantas pessoas fazem esse trabalho? Quase a metade de seu gabinete.

Patinando 2

Para Barroso, Dias Toffoli, atual presidente do STF, tem revelado grande sensibilidade para esse problema.

Memória

Nos últimos quase 30 anos, Luís Nassif se dedicou a levantar e escrever a história do banqueiro e embaixador Walther Moreira Salles, incluindo aí quatro anos seguidos de conversas com quem foi um dos grandes financistas do século passado.

O texto está pronto – e será lançado dia 23, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista. Detalhe: ambos são de Poços de Caldas.

Leia mais notas da coluna:
+ Novo plano de metas de Covas prevê dez desestatizações 
+ Tensão sobre a Previdência domina jantar do Lide

Tendências: