“QUERO FAZER UM MUSICAL 100% NACIONAL PARA O CINEMA”

“QUERO FAZER UM MUSICAL 100% NACIONAL PARA O CINEMA”

Sonia Racy

26 de novembro de 2012 | 10h24

JANETE LONGO/ESTADÃO

Tiago Abravanel fala sobre seu personagem em Salve Jorge, crítica construtiva, Tim Maia e a estreia na telona

A voz é poderosa – como mais de 200 mil pessoas comprovaram no Rio e em São Paulo durante o ano passado. E ele costuma cantar também no chuveiro. Sua favorita? Como Nossos Pais (“é uma música que liberta a gente”). Seguindo os passos do avô mais famoso, Silvio Santos, Tiago Abravanel começa a conquistar, definitivamente, a telinha, em sua segunda incursão pelos folhetins.

Depois do Davi de Amor e Revolução, no SBT, e de estourar no teatro, com o musical Tim Maia – Vale Tudo, ele vive agora o vendedor turco Demir, em Salve Jorge, nova novela das 9h da Globo. “É um personagem muito engraçado, estou adorando. E a Turquia é maravilhosa”, diz.

Sobre as gravações em Istambul e na Capadócia, só um probleminha: o ator tinha sempre ao pescoço seu amuleto, uma figa, símbolo considerado obsceno pelos turcos. E não entendia por que os habitantes locais o encaravam tanto…

Para quem acha que o sucesso de Tiago foi meteórico, os fatos: antes de encarnar o “síndico”, ele já havia emplacado Miss Saigon (2007) e Hairspray (2009-2010), dois grandes sucessos dos palcos.

Nesta entrevista à coluna, o paulistano de 25 anos fala sobre a vida depois da fama (“imponho alguns limites”), o dia a dia de Salve Jorge e a sorte que o acompanha.

Você está voltando a fazer Tim Maia, no Rio, depois das gravações para Salve Jorge. Que tal o retorno aos palcos?

Gosto muito do espetáculo, tenho muito carinho. Será sempre um prazer enorme.

Qual a parte mais difícil de interpretar o Tim?

Acho que o envelhecimento dos 12 ao 45 anos. Não é apenas a questão da personalidade do Tim, mas tem também a questão física e vocal.

Existe algum projeto de levar o musical para a TV ou para o cinema?

Acredito que sim… mas isso é com o Sandro Chaim (produtor do espetáculo).

Fala um pouco sobre o trabalho de expressão corporal para encarnar o “síndico”.

O fato de ir envelhecendo e engordando… tivemos de fazer um trabalho específico, com técnicas corporais.

Sobre Salve Jorge, está curtindo o trabalho? Esperava que fosse diferente?

Esperava sentir um pouco mais de frio (risos), mas a equipe deixa a gente quente. Isso me faz querer trabalhar mais em prol da história. Estou amando.

O texto da Gloria Perez ajuda.

A Gloria tem uma maneira de escrever… ao mesmo tempo em que é contemporânea, existe uma magia que encanta a gente. É um grande prazer começar na Globo com uma novela dela.

E como é encarar gente grande da TV, como Claudia Raia, Vera Fischer, Stenio Garcia, Walderez de Barros e Totia Meirelles?

Nossa, é uma honra, e todos me receberam tão bem, me deixaram super à vontade. Coloco a cabecinha no travesseiro toda noite e repito: “Muito obrigado, Senhor!”

O teu personagem é muito divertido. É como você?

É um tipo diferente, que muda a cada dia, conforme a Gloria vai escrevendo. Tô feliz, acho que se tornou um personagem bem divertido.

E o seu relacionamento com o Domingos Montagner?

Ah, é tipo… meu irmão, parceiro de cena, amigo. Uma pessoa que quero levar para a minha vida. Meu personagem se inspira muito nele. A dupla é bem legal.

Foi fácil emagrecer 15 quilos para viver o personagem?

Acho que emagreci também porque caminhei muito na Capadócia, naquele calor (risos). Mas, falando sério, fiz um tratamento com aparelhos específicos.

Teatro ou TV?

Cada área tem dificuldades e facilidades. Mas, nos dois casos, é preciso passar uma verdade.

Prefere cantar ou atuar?

Prefiro cantar, atuar e dançar. Se pudesse fazer os três juntos… seria o ideal.

O Silvio Santos “entregou” teu salário na Globo, mas… chegou a fazer alguma oferta?

Não cobriu (risos).

Ele foi te ver na pele do Tim Maia. Muita emoção ao saber que estava na plateia?

Esperei tanto que, quando aconteceu, já estava anestesiado. Acho que acabou sendo mais emocionante pra ele.

Pensa em ser apresentador de TV por causa do Silvio?

Hoje não penso, mas já passou pela minha cabeça.

É verdade que ele queria que você se chamasse Jô porque o Jô assinou com o SBT no dia do seu nascimento?

Putz… é verdade.

Você trabalha desde os 15 anos. Aos 24, o sucesso chegou. Qual a sensação? Como lida com isso?

Olha, tento lidar da maneira mais simples possível. Claro que dá muito orgulho, principalmente por esse sucesso ter vindo pelo teatro, que não é muito valorizado no Brasil. Sou muito grato, por este momento, mas não quero que vire carma ou um apego, sabe?

A exposição na mídia chegou a te assustar?

Não diria assustar, mas foi uma surpresa. Não imaginava a proporção que teve.

A vida pessoal sofre com o sucesso? O que teve de deixar de fazer por causa disso?

Sou sossegado e encaro com naturalidade. Não tenho problema nenhum… acho ótimo. Respeito e tenho de ser atencioso. Mas coloco limites. Por exemplo, se estou num restaurante, peço a gentileza de me deixar terminar. Aí tiro foto, converso…

Reage bem a críticas?

Crítica é sempre bom, principalmente a construtiva. Ela deve ser ouvida e analisada. Se for pertinente, a gente tem de aderir. Só não pode é se apegar demais à crítica.

Outros projetos por aí?

Estreei no cinema como personagem da Disney, dublando um vilão de jogo de fliperama, muito legal! (O personagem se chama Ralph e a produção, Detona Ralph, é dirigida por Rich Moore, das séries Os Simpsons e Futurama). Além disso, tenho um sonho: queria muito fazer um musical 100% brasileiro. Mas para a telona!/DANIEL JAPIASSU

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