Qual o destino da energia nuclear?

Sonia Racy

24 de março de 2011 | 23h00

Em tempos de pós-tragédia no Japão, até Angela Merkel avisa estar buscando uma “exit strategy” para a produção de energia nuclear. Se ela, que não é exatamente uma ativista do Greenpeace, admite publicamente que quer encontrar alternativas, o Brasil, com a abundância de águas que tem, poderá fazer o mesmo.

 A opinião é de José Goldemberg, físico eleito em 2007, pela revista Times, como um dos Heróis do Meio Ambiente. “O mundo todo fará um reexame do processo”, acredita o também vencedor do Prêmio Planeta Azul, considerado o “Nobel” da área. Resultado? No mínimo, a energia nuclear vai encarecer, na opinião de Goldemberg, um dos principais opositores da construção de Angra 3.

É consenso que o acidente no Japão provou, mais uma vez, que é ilusão acreditar que há segurança nas usinas nucleares. “Não é como um avião que quando cai, você sabe exatamente o que esta queda provocou. No caso da radioatividade, o acidente não tem só características localizadas. Elas são muito mais amplas e incertas”, analisa o físico, se mostrando surpreso pelo fato de a radioatividade ter chegado às águas da costa dos EUA.

 Por essas e outras, Goldemberg continua achando que o programa nuclear brasileiro é equivocado. “No Brasil, a energia nuclear é dispensável. Não precisamos disso”.

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