Quais as consequências da greve dos caminhoneiros para a economia real?

Quais as consequências da greve dos caminhoneiros para a economia real?

Sonia Racy

31 Maio 2018 | 00h50

PARALISAÇÃO NA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA, EM JACAREÍ

PARALISAÇÃO NA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA, EM JACAREÍ. FOTO: NILTON CARDIN

Ignorando, por ora, o impacto da greve dos petroleiros que começou ontem, quais são as consequências da greve dos caminhoneiros para a economia real? Essa coluna pesquisou com fontes balizadas e chegou a algumas conclusões.

A indústria de proteína animal foi a mais afetada. Os ‘produtos’, que estão há dez dias na estrada, não poderão ser aproveitados. E os que não estão na estrada, sofreram ‘paradas’ por falta de insumos.

Resultado: vai haver um período de desabastecimento, falta de alguns produtos e… reajuste de preços.

Unha e cutícula

No que se refere às indústrias, a maior parte delas teve algum tipo de interrupção da produção. E todas tiveram a sua logística desestruturada.

Resultado: pode haver empresas pleiteando renegociação de dívidas, com a justificativa das perdas com a paralisação.

Matemática é assim

Já o PIB fraco, divulgado ontem, é ducha de água fria: o crescimento de 0,4%, no primeiro trimestre do ano não é nada animador. O que não se esperava é o volume de perdas estimadas com a greve: 0,15% do PIB, algo como R$ 10 bilhões.

Matemática 2

O custo das promessas feitas aos caminhoneiros grevistas é também de R$ 10 bilhões. Caso, claro, o governo Temer cumpra os compromissos assumidos.

De onde virá este dinheiro? Contas feitas por economista especializado em contas públicas, indicam que cerca de R$ 6 bilhões devem sair de um pequeno espaço fiscal que o governo federal tinha conquistado com melhora da arrecadação e diminuição de gastos.

O restante terá que sair de cortes de gastos.

Matemática 3

Inflação? As expectativas no mercado ainda estão abaixo do centro das metas. Ainda espera-se 3,3% para 2018 e um pouco mais, 4,1%, em 2019.

O que parece incrível e fora de questão são os chamados juros futuros. Lastreados em expectativas, previam ontem aumento significativo. A taxa para janeiro de 2025, bateu 11,3% ao ano. E qual era a cotação desta taxa antes dos dez dias de greve? 9,7%.

Suspeita: os juros futuros devem voltar para a realidade visto que dificilmente a inflação vai aumentar permanentemente em 2018. E assim, justificar esse número.

A conferir

Resumo: Espera-se aumento de preços temporário até que se restabeleça o transporte de alimentos, insumos, etc. Bem como compensação ante a diminuição do preço do diesel. Será?

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