Próximo presidente deveria manter equipe de Temer, diz Delfim

Sonia Racy

24 Outubro 2018 | 01h00

DELFIM NETTO

DELFIM NETTO. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

O Brasil corre o risco de dar certo caso o vencedor do pleito deste domingo tenha “um pouco de humildade e inteligência para conservar a equipe técnica que está lá no governo Temer”, afirmou ontem Delfim Netto, em almoço para poucos – entre eles, Shigeaki Ueki – na casa de Naji Nahas, nos Jardins.

“Eles levaram seis ou sete meses até esclarecer a contabilidade criativa de Dilma. São funcionários públicos de carreira, não têm nada a ver com ideologia e é muito importante deixá-los onde estão, ante a atual situação que está bastante boa”, disse o experiente czar da economia brasileira, do alto dos seus 90 anos.

‘A inflação baixa
está garantida’

No almoço descontraído, em que se lembrou da fase militar e de como os ministros civis sempre trabalharam com liberdade, Delfim fez uma radiografia rápida da economia brasileira.

Destacou que a inflação baixa está garantida – a safra será boa, a taxa de juros real está caindo, há condições para se manter o câmbio flutuante, o emprego começou a reagir. “Se o Ilan Goldfajn ficar no BC, se o programa BC+ continuar, o spread bancário vai cair sem se precisar instituir a ideia idiota de imposto”.

‘Importante é convencer
a atual equipe a ficar lá’

Para Delfim, não importa se é o Haddad ou Bolsonaro a vencer: mais importante é convencer a equipe a ficar no governo. “Eu já vi muito leão virar gato, e quem tem a ideia de que é só sentar lá, ligar a lambreta e deixar andar vai dar com a cara na parede”. Delfim reforça que há chance de crescimento, mas que é preciso prosseguir no atual processo.

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