Mary Kay se alia ao projeto Justiceiras, de Gabriela Manssur, para ajudar vítimas de violência doméstica

Mary Kay se alia ao projeto Justiceiras, de Gabriela Manssur, para ajudar vítimas de violência doméstica

Sonia Racy

09 de outubro de 2020 | 00h50

Quando a consultora de beleza Mary Kay entrar na casa de uma mulher para apresentar maquiagens e cosméticos – almejando conquistar o famoso carro rosa que a marca dá para as que mais se destacam nas vendas – levará também outra mensagem de cuidado. Os catálogos da marca exibirão um número de Whatsapp para que vítimas de violência doméstica denunciem o agressor.

Para tanto, o Instituto montou parceria com o projeto Justiceiras, idealizado por Gabriela Manssur, durante a pandemia, no âmbito do Instituto Justiça de Saias.

A promotora do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) explica que a consultora pode se inscrever como vítima ou como voluntária: “Entrará no cadastro e seguirá o fluxo do projeto Justiceiras que já atendeu 2.200 mulheres com enorme sucesso em ajudá-las a saírem da violência. São 4 mil voluntários voltados para acolhimento, orientação jurídica, assistência social e psicológica da rede Justiceiras disponíveis para dar atenção às vítimas.”

Manssur ressalta que muitas brasileiras têm confiança nestas vendedoras diretas de cosméticos: “As mulheres gostam de receber a consultora de beleza em casa, muitas vezes se abrem para ela. Agora elas estarão capacitadas para informar essa cliente e encaminhá-la para o Justiceiras.”

Considera a legislação brasileira boa para o enfrentamento de crimes de feminicídio mas gostaria de penas mais altas, tratamento processual penal mais rígido em liberdades provisórias, fianças, progressões de regimes.

“O que não é bom é o pensamento de parte da sociedade brasileira que ainda observa mais o comportamento da mulher do que a conduta criminosa do réu. É inadmissível que em 2020 haja uma decisão do STF dizendo que alguém pode matar em legítima defesa da honra, como se ciúmes e traição fossem justificativas para assassinatos. Isso em um momento que o Brasil é o 5º País com maior índice de violência contra a mulher e um dos piores para a mulher nascer”. O STF manteve a absolvição de um homem que tentou matar a ex-mulher a facadas diante de suspeitas de traição conjugal, no final do mês passado. Os ministros entenderam que a decisão pelo tribunal do júri é soberana e não poderia ser modificada.

Manssur tem planos de se mudar para Brasília a partir da semana que vem. O Procurador-Geral da República, Augusto Aras, e o Ouvidor Nacional do MP fizeram o convite para ela cuidar do canal da Ouvidoria das Mulheres do Ministério Público, no CNMP. Ela deve se afastar temporariamente das funções do MP paulista. / PAULA BONELLI

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