Proibir é proibido

Proibir é proibido

Sonia Racy

12 de junho de 2015 | 01h08

Maria Bethânia e José Maurício Machline (Foto: Roberto Filho)

Algumas horas depois de o STF liberar a publicação de biografias sem autorização prévia, o “crème de la crème” da música nacional se reuniu, anteontem, no Municipal do Rio. Para assistir o Prêmio da Música Brasileira, patrocinado pela Vale e comandado por José Maurício Machline. Maria Bethânia foi a homenageada do ano.

Nos camarins, antes de começar a bem organizada premiação, artistas comentaram a decisão da Corte em Brasília. “Tudo o que eu esperava ouvir de Carmem Lúcia (ministra do STF) ela falou”, disse, satisfeita, a produtora Paula Lavigne, lembrando que a ideia do movimento Procure Saber sempre foi incentivar o debate e nunca proibir biografias. Lenine prestou reverência ao grupo de artistas: “O PS é formado por criadores que tentam descobrir o que acontece no mundo das artes. Biografias nunca foram um ponto em comum entre todos”, esclareceu.

Enquanto se arrumava, a mestre de cerimônias Dira Paes se dizia feliz com a decisão do Supremo: “É sempre melhor permitir do que proibir”. E pegou carona para falar contra a diminuição da maioridade penal: “Estamos em um momento de decisões fundamentais. O Estatuto da Criança e do Adolescente está fazendo 25 anos. É hora de fazermos uma reflexão sobre os menos favorecidos”.

Dividindo o camarim com Dira, Renata Sorrah foi enfática: “Liberar as biografias é um avanço, como outros que estão acontecendo na Justiça. O único pânico é andar para trás. Não podemos”. Na sala ao lado, Matheus Nachtergaele fez a defesa da liberdade de expressão: “Não podemos correr o risco de a censura ser fortalecida de nenhuma maneira. Vamos arcar com as consequências da liberdade e confiar no bom senso das pessoas”.

Depois de abrir o evento cantando Carcará e O Quereres, Bethânia confessou estar nervosa. “É difícil acertar tendo meu irmão aqui” disse, olhando para Caetano Veloso. Depois, sentou-se na plateia, ao lado de Machline. Durante a premiação, a cantora se emocionou e levantou-se para aplaudir de pé alguns spotlights da noite: a apresentação de Alcione, Nana Caymmi, As Ganhadeiras de Itapuã, Fabiana Cozza e Roque Ferreira e Caetano. Ao final, convidou os que a homenagearam para se juntarem em uma dança no palco.

A festa não parou no Municipal. Alguns convidados tiveram direito a jantar na Sociedade Hípica Brasileira, lado a lado com os premiados e outros artistas – Bethânia inclusive. A “abelha rainha” conversou com todos, fez selfies com fãs, bebeu whisky e deixou a festa depois das três da manhã, arrancando elogios dos presentes. /MARÍLIA NEUSTEIN