Professores do Teatro Municipal temem sucateamento com novo projeto

Marcela Paes

19 de fevereiro de 2020 | 00h50

 

Teatro Municipal. FOTO DIVULGAÇÃO

Professores e alunos das Escolas Municipais de Dança e Música de São Paulo estão perplexos com os novos parâmetros propostos pela Secretaria Municipal de Cultura para a gestão do complexo Theatro Municipal. O projeto foi apresentado na terça e está exposto para consulta pública.

De acordo com Daniel Conejo, representante dos professores da Escola de Música e regente da orquestra infanto-juvenil do Municipal, pelo projeto a escola passa a atender em seu curso regular somente crianças acima de 12 anos. “Isso é absurdo. Tanto no balé como na música, as crianças têm que começar mais cedo que isso. A Regina Pacheco (secretária adjunta de Cultura) não entende do métier”, diz ele. Os professores ainda decidem sobre que medidas irão tomar.

Conejo afirma que os parâmetros foram criados sem que os professores fossem consultados na elaboração e têm como objetivo principal o corte de gastos. Conejo alega que somente cinco professores foram ouvidos em uma reunião às vésperas do lançamento do projeto, mas “nada do que eles colocaram foi ouvido”, pontua.

Outro preocupação  é a cláusula que prevê a celetização de funcionários e professores. Segundo funcionários, o temor de demissão é grande.

“Isso tem que ser feito mas não houve um aporte de verba necessário para que essa mudança seja feita sem demissões”, explica Conejo.

A mãe de um dos alunos da instituição musical criou um abaixo-assinado “contra o desmonte da Escola de Música” que já conta com mais de 12 mil assinaturas. Clarissa Bonvent,  do Grêmio dos alunos da Escola de Música, alega que falta transparência ao processo.

“É estranho que eles façam isso no meio do Carnaval e enquanto muitos alunos estão em férias. Nenhum aluno nem os pais foram consultados. E muita gente pode perder a vaga”, diz.

O projeto de Lei 749-2019 está em tramitação na Câmara dos Vereadores e prevê que a administração do Theatro Municipal de SP volte a ser tocada diretamente pela Prefeitura. Nesta quarta-feira (19), o PL  será discutido na Comissão Permanente de Finanças e Orçamento.

 

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