Primeiro, o marido

Primeiro, o marido

Sonia Racy

03 Julho 2015 | 01h12

Ayelet Waldman (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma tempestade em Houston atrasou a chegada, em Paraty, da israelense Ayelet Waldman – mas ela aterrissa a tempo de participar, hoje, da mesa Amar, Verbo Intransitivo. Autora de Amor e Memória, Ayelet traz na mala a forte polêmica em torno de uma afirmação sua: a de que amava mais o marido do que os filhos. À coluna ela admitiu, por e-mail, que esse tema incomoda mas disse que é grande o desejo das mulheres em falar a respeito. Abaixo, trechos da entrevista.

Você foi bombardeada quando contrapôs o amor por seu marido ao que sente pelos filhos. Acha que passou a ser discriminada?

Algumas mulheres ficaram com raiva, mas creio que essa reação tem muito mais a ver com elas próprias. Uma delas me criticou no programa da Oprah Winfrey e depois me escreveu para dizer que seu casamento estava em crise e pediu conselhos.

Quais são hoje os maiores erros e acertos do movimento feminista?

Mulheres já não são legalmente obrigadas a submeter-se à agressão sexual do cônjuge. Têm mais direitos na lei e no local de trabalho. Mas temos muito a fazer ainda sobre pobreza, direito ao aborto e questões relativas a pessoas trans.

Há hoje uma grande onda de apoio ao grupo BDS (Boycott, Divestment and Sanctions). Como vê isso?

Sou favorável a um boicote a tudo que é produzido nos territórios ocupados. Hoje, não apoio o boicote acadêmico ou financeiro a Israel como um todo. Mas estou horrorizada com o governo de direita fanático que Netanyahu reuniu. / Marília Neustein