Menos detenções, penas mais curtas e recuperação levada a sério, sugere criminalista

Sonia Racy

22 Janeiro 2017 | 01h00

Alterado às 12:15 para atualização de conteúdo

Para o criminalista Eduardo Muylaert, “um monte de medidas emergenciais, apressadas, tomadas pelo governo não vai resolver. Pois a crise é do sistema”.  À coluna, ele afirmou que o essencial é modernizar  — e logo — toda a filosofia que fundamenta a atual política penitenciária.

De que modo? Caminhando para um ponto em que se priorizem as questões centrais do problema: “Só prender quando indispensável, ser eficaz na recuperação do preso e aplicar penas curtas e rápidas”.

Detenções 2

O governo, na avaliação do ex-secretário de Segurança de SP, já deveria ter entendido que a questão das prisões é tão importante quando a econômica, “porque o encarceramento maciço, com os problemas que traz, desmoraliza a lei e o Estado”.

Como exemplo, ele faz uma comparação: em dez anos dobrou a população carcerária do Brasil e os crimes não diminuíram. Pior, segundo o criminalista: “Há algo muito errado quando se sabe que a chance de se morrer na cadeia é 80% maior do que fora dela, e ainda assim 41% dos 622 mil presos são deixados lá dentro indevidamente”.