Prejuízo causado por cunhado de Marcelo Odebrecht pode ir além de supostos desvios

Sonia Racy

03 de julho de 2019 | 00h55

MARCELO ODEBRECHT

MARCELO ODEBRECHT. FOTO: FELIX LEAL/FUTURA PRESS

Divisão em família

O prejuízo causado por Maurício Ferro, cunhado de Marcelo Odebrecht, pode ter ido além dos supostos desvios financeiros para contas de bancos no exterior – dos quais é acusado.

Pessoas próximas a parte da família apontam Ferro como pivô do aprofundamento do desentendimento entre Emílio e o filho Marcelo.

Divisão 2

Casado com a irmã do ex-presidente do grupo, Ferro teria aproveitado a desconfiança mútua para truncar a comunicação entre Emílio e o então preso de Curitiba. Na época, o diretor jurídico do grupo trabalhou como advogado de Marcelo.

Ele teria dito a este que Emílio não queria o acordo de delação premiada. E, a Emílio, que Marcelo rejeitava a hipótese de acordo de delação premiada.

Motivo? Estaria interessado em retardar ou mesmo evitar o acordo.

Divisão 3

Fonte próxima a Ferro, entretanto, diz que essa hipótese não é factível. E explica: visitavam Marcelo, na prisão, parentes e advogados que também poderiam ser interlocutores entre pai e filho e desfazer qualquer manipulação.

Divisão 4

Atribuem-se também, a Ferro, três outros “pecados”: a destruição das chaves do sistema MyWebDay, a classificação dos e-mails da Braskem como sigilo advogado-cliente e o acordo fechado com as autoridades americanas exclusivamente com informações do Brasil — e não por meio de investigação feita pela Justiça dos EUA.

O que, segundo fonte da família, poderia até encontrar novos criminosos que não integravam a lista.

Divisão 5

E mais: essa “precipitação” teria antecipado em pelo menos três anos a divulgação, pelos americanos, das informações apuradas pela Justiça brasileira.

Pegando de surpresa funcionários da Odebrecht no exterior, obrigando-os a fugir dos países em que moravam e gerando prejuízos mundo afora.

Divisão 6

Hoje, na Câmara, a CPI do BNDES ouve Maurício Ferro e Emílio Odebrecht.

O depoimento de Emílio, em sessão reservada. Neste caso, apenas parlamentares terão acesso ao encontro.

Escolinha

Políticos pouco qualificados, longas falas para as redes sociais e Voz do Brasil, espetacularização, adiamento de discussões urgentes. Essa foi a impressão do professor da FGV Marco Antonio Teixeira sobre a audiência de Moro, ontem, com deputados na CCJ da Câmara. As poucas perguntas sérias dirigidas ao ministro, resumiu, “eram as mesmas do Senado há 15 dias”.

Estão na fila de espera da Casa decretos como o das armas ou das novas normas do CNH, para citar só dois, lembra Teixeira. Ele dá razão ao presidente da comissão, Felipe Francischini, que a certa altura chamou o debate de “escolinha do Professor Raimundo”.

Dilma no telão

O produtor Marcelo Torres, de Central do Brasil e Budapeste, já trabalha em filme sobre o impeachment de Dilma. Seu plano é escolher um diretor por volta de setembro.

A ideia é misturar documentário com ficção e empenhar-se em obter financiamento privado.

Recalculando

Foi a Paper Excellence que entrou na Justiça, há um ano, contra a J&F dos irmãos Batista.

E não o contrário, como informou ontem a coluna.

Leia mais notas da coluna:
+ Disputa se intensifica e acordo de J&F e Paper Excellence fica distante
+ Função da Caixa não é só ‘ser rentável’, diz seu presidente

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