Por trás de Madonna

Por trás de Madonna

Sonia Racy

11 de março de 2010 | 08h27

Há pouco menos de dois anos no Brasil, o Instituto Success For Kids do Brasil, está nos holofotes. Afinal, recebeu, no embalo do apoio de Madonna, promessa de recursos de dar inveja a muitas ONGs. Estela de Wulf, advogada que entrou como voluntária e dirige o projeto brasileiro, é avessa a entrevistas mas resolveu esclarecer: “Os apoios que tivemos até agora são 100% de brasileiros. E todo o dinheiro será investido em crianças daqui.” Em conversa com a coluna anteontem, no seu escritório em São Paulo, adiantou: “A ideia é que a ONG leve nossa metodologia às escolas públicas.” A SFK surgiu em 2001, em Los Angeles, e atua em oito países.

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A Madonna é dona da ONG? Ela é uma forte apoiadora desde o começo. Além de doadora – no caso brasileiro, repassando recursos recebidos aqui em nosso País -, ajudou o desenvolvimento da entidade no mundo inteiro. Ela lidera a inspiração na busca de apoio a uma causa em que acredita.

Como tem funcionado a SFK brasileira? Estes primeiros anos foram um período piloto de avaliação, para adequar a metodologia para a cultura brasileira. Iniciamos as primeiras parcerias com outras ONGs. E, a exemplo do que aconteceu em outros países, começamos algumas experiências com escolas públicas. Foi em parceira com a Crescer Sempre, ONG mantida pela seguradora Porto Seguro. Eles nos remuneram por esse serviço. E agora vamos trabalhar com a Parceiros da Educação, da Ana Maria Diniz. A intenção é atuar em 3 escolas, atendendo a mil alunos.

A metodologia tem alguma ligação com a Cabala? Não, nem com ela nem outra instituição de natureza religiosa. Nossa metodologia é baseada em um processo sócio-emocional. Essa distorção surgiu porque Karen Berg, fundadora da SFK, é uma das dirigentes do Cabala Center nos EUA.

Como foi a conversa de Madonna com Serra? Ela falou sobre levar o programa às escolas estaduais. Parte de seu objetivo, de ajudar a SFK brasileira.

E deu certo? Depois disso, levamos o programa à Secretaria de Educação, que viu a parceria com bons olhos.

O dinheiro arrecadado com a visita de Madonna terá um destino diferenciado? O modo de receber esses recursos está ainda sendo formalizado. Mas é certo que as doações vão diretamente para a SFK Brasil.

Quais os planos no longo prazo? Pretendemos, nos próximos três anos, já ter montado uma boa equipe, preparada e testado os resultados. Aí poderemos treinar professores da rede pública para serem multiplicadores do projeto.

ONGs parceiras reclamam da falta de recursos. Os parceiros recebem o nosso curso. E não os recursos. Levamos a metodologia, e não o dinheiro da SFK.

Por Marília Neustein