Por amor, modelo viaja de Nova York ao Xingu

Por amor, modelo viaja de Nova York ao Xingu

Sonia Racy

17 de setembro de 2019 | 00h40


A MODELO ALINE COM AMARY NO XINGU. ARQUIVO PESSOAL

 

Dois dias inteiros de viagem separam o casal Aline Weber e Pigma Amary. Para chegar a Amaru, aldeia indígena onde mora seu namorado, a modelo sai de Nova York, vai até Canarana, no Mato Grosso, e em seguida segue de barco por mais seis horas. Faz a viagem sem reclamar desde meados de 2018, quando, segundo diz, se apaixonou “à primeira vista” pelo técnico em enfermagem. “Parece clichê, mas quando nos olhamos eu senti algo muito forte. Era como se já nos conhecêssemos”.

O romance começou quando Aline participou do Quarup, tradicional ritual indígena de homenagem aos mortos do Alto Xingu. A modelo contribuiu para que alguns indígenas da região pudessem financiar seu deslocamento até a cerimônia. Ela e Pigma passaram oito dias na mesma aldeia, mas, tímidos, apenas trocaram olhares. Só quando retornaram a Canarana é que ficaram.

Desde então se veem com frequência e se falam todo dia por chamadas de vídeo. Natural de Santa Catarina, Aline mora em Nova York há 15 anos e já desfilou para marcas como Armani, Marc Jacobs, Stella McCartney e Saint Laurent e fez dezenas de campanhas e capas de revista. Viaja quase que o tempo todo e tem um estilo de vida que considera “corrido e às vezes estressante”. Pigma, na outra mão, nunca saiu do Brasil – mas está tirando passaporte para visitá-la. Segundo Aline, ele é uma das pessoas mais tranquilas que já conheceu. Tantas diferenças assustaram amigos e conhecidos da top model. “Muita gente achou uma loucura. Me perguntavam como eu conseguia levar a relação. Mas nunca liguei porque sempre gostei muito dele.”

A relação fez crescer o interesse de Aline pela cultura indígena. Ela defende a política de demarcações de novas reservas – que considera um dos maiores patrimônios do Brasil –, acha que a fiscalização do agronegócio na região é falha, já contribuiu com a construção de poços artesianos no Alto Xingu e defende que as pessoas comam menos carne como uma forma de preservar o meio ambiente.

“Na aldeia eu vi como na cidade não damos valor a coisas simples, como a água. No Xingu o rio é poluído por agrotóxicos e muitas nascentes são usadas ilegalmente pra irrigar plantações de soja. É difícil para eles e isso nos faz dar valor a coisas simples.” / MARCELA PAES

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