Pop ‘deleuziano’

Sonia Racy

12 de novembro de 2010 | 23h01

Depois de 13 anos na EMI, Paulinho Moska chegou à conclusão de que precisava de tempo. Hoje, o músico vive as dores e delícias de ser independente. E mostrou, anteontem, Muito e Pouco, seu novo trabalho, no Bourbon Street onde conversou com a coluna.

Por que seis anos sem gravar nada novo?

Na EMI, tinha obrigação de produzir um disco a cada ano e meio. Quando saí da gravadora, sabia que daria uma freada. Trabalhei o mesmo disco até o processo se esgotar. Além disso, virei fotógrafo.

Foi difícil ser independente?

Não. Foi muito importante. Aos poucos percebi que meu trabalho exigia velocidade mais baixa. O Muito e Pouco é sobre essa desaceleração. As coisas agora têm seu próprio prazo. Essa turnê vai durar o tempo que for preciso.

Como começou a parceria com Jorge Drexler?

Uma fã uruguaia me deu um disco dele. Com um bilhete muito bem escrito. Dizia que eu e Drexler éramos parecidos. Pela qualidade do texto dela, acreditei. Suas canções bateram muito forte, entrei em contato com Jorge e disso nasceu uma grande amizade.

É verdade que para fazer o novo disco você se inspirou no filósofo Gilles Deleuze?

Foi, como diria Deleuze, um “acaso dos encontros”. Eu tinha 26 anos quando fiz um curso com Claudio UlPiano, que virou meu mestre. Ele é um “deleuziano”. Daí uma coisa linda aconteceu: encontro de professor e aluno. Produzi músicas logo de cara.

Qual é a importância dessa formação para sua música?

Quero fazer uma música pop que possa flertar com a filosofia. Não me considero um especialista em nada. Nem em música. Sou um compositor. Fazendo muitas coisas, me livro da obrigação de ser o melhor em alguma delas.

MARILIA NEUSTEIN

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