Ponto a ponto

Ponto a ponto

Sonia Racy

26 de abril de 2013 | 01h07

Foto: Paulo Giandalia/Estadão

Economistas veem o mundo por meio de satélites; e os empresários, pelas janelas de suas casas. Quem faz o link entre as duas visões é o investidor de capital. Foi com esta observação, respondendo a pergunta do “jornalista” Ilan Goldfajn, que Marcelo Odebrecht iniciou entrevista ao vivo, ontem, no Hotel Unique – durante o seminário Macro Vision, do Itaú BBA.

Entre outras, o empresário informou que sua companhia investirá R$ 15 bilhões em 2014 e que teme uma “bolha de debêntures”. Como? Parecida com a bolha de IPOs entre 2004 e 2007, quando qualquer operação em si já era um sucesso.

Ele acha também que o Brasil deixou passar oportunidades de investir em mobilidade até a Copa. “Não esperem grandes melhorias, o País perdeu o legado.” Já quanto à Olimpíada, Odebrecht se mostra mais otimista, principalmente em relação ao Rio. “A cidade está se transformando, mas ainda preocupa a falta de acomodações.” Estádios? “Ficarão todos prontos.”

A seguir, algumas de suas outras posições:

Setor imobiliário. “O otimismo de cinco, seis anos atrás era exagerado. Bem como o pessimismo hoje.”

Crescimento. “Estou otimista, mas seletivamente otimista. Há setores que são competitivos – e esses vão crescer. O crescimento do Brasil será seletivo.”

Infraestrutura. “Em termos institucionais ou de marcos regulatórios, o risco é zero no País.”; “Vai voltar o investimento em energia.”; “Em saneamento, o modelo está adequado.”; “Há poucos trechos economicamente viáveis nas ferrovias. O Estado vai ter de entrar.”; “A MP dos Portos foi uma grande medida.”; “As premissas dos projetos em rodovias precisam melhorar”.

Obra pública. “É inviável fazer, por causa do timing do TCU – que analisa os projetos antes, não depois. É a mesma coisa que eu chamar uma auditoria para checar as contas da Odebrecht antes da concretização de obras. Isso acaba travando a infraestrutura.”

Financiamento. “Se a receita do empreendimento é dolarizada, captamos fora. Se for em reais, captamos aqui dentro, para não correr risco cambial. Mas, fora do BNDES e da CEF, não há recursos compatíveis com investimentos de longo prazo.”

Meio ambiente. “A maior parte dos empresários usa a desculpa do meio ambiente para postergar seus investimentos. É só olhar os relatórios ruins que eles entregam para serem aprovados.”

Minha Casa, Minha Vida. “O preço é um problema. Quem entrega no preço ofertado não tem qualidade. Trata-se de uma boa ideia, que precisa ser melhorada por meio de gerenciamento.”

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