Pilotos treinam para a estreia do caça brasileiro

Pilotos treinam para a estreia do caça brasileiro

Direto da Fonte

24 de abril de 2021 | 00h13

Luiz Fernando de Aguiar, tenente-brigadeiro do ar e um dos líderes do Esquadrão Gripen na FAB. Foto: Johnson Barros / FAB

Pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) estão em Linköping, na Suécia, aprendendo a operar o caça Gripen E, encomendado pelo Brasil para renovar sua frota. No intercâmbio, os brasileiros convivem com os professores da força aérea sueca e voam no avião de alta performance no país europeu.

Para Luiz Fernando de Aguiar, tenente-brigadeiro do ar, o Gripen é pensado não apenas como um avião, mas como um sistema de combate, com diversas funcionalidades que extrapolam as capacidades de qualquer outra aeronave já operada pela FAB. Na prática, o Gripen permite uma pilotagem intuitiva, além de evitar que limites operacionais sejam ultrapassados. Segundo os pilotos, isso facilita o trabalho na cabine da aeronave e os deixa focados na missão a ser realizada, contribuindo para que sejam tomadas melhores decisões com incremento do desempenho em combate.

Os brasileiros na Suécia treinam pela primeira vez em uma centrífuga (simulador dinâmico semelhante à forte pressão da cabine de pilotagem), além de sobrevivência no mar à noite, o que é feito em uma piscina.

Os caças, que voam em altitudes acima de 15 mil metros, serão usados para controlar o espaço aéreo, em missões para interceptar aviões de contrabando de armas e tráfico de drogas. As negociações para a escolha de um novo modelo de aeronave para a FAB atravessaram os governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff – sendo selada em 2014 a um custo de 39, 3 bilhões de coroas suecas (R$ 25,6 bilhões se fossem pagas hoje), com previsão da última aeronave ser entregue em 2026.

A escolha pelo governo Dilma Rousseff aconteceu após episódios marcantes. Quase que o Brasil leva o modelo francês, o caça Rafale, o que não ocorreu por uma inconfidência. Após uma reunião entre Lula e Nicolas Sarkozy, o ex-presidente brasileiro deixou claro que tinha fechado com Sarkozy, e aquilo gerou um mal-estar e um problema jurídico porque as concorrentes poderiam contestar o processo. Depois, pilotos da FAB passaram a defender o modelo F-18 da Boeing que nunca tinha sido abatido em guerras, mas havia um impasse na transferência de tecnologia que os norte-americanos conseguiram resolver. Bem nesta hora, porém, estoura o escândalo da NSA mostrando que o governo Obama estava grampeando Dilma. Ela tinha uma visita de Estado marcada, em que anunciaria a compra do caça da Boeing. Cancelou tanto o encontro quanto todos os acordos que seriam firmados.

Apesar das idas e vindas, a escolha do Gripen agrada especialistas em tecnologia militar. As especificações do painel da versão brasileira da aeronave acabaram sendo adotadas pela Suécia.

Dos 36 caças, 15 serão construídos pela Embraer, já que o trato com a Saab inclui a transferência de tecnologia para fabricação das aeronaves no Brasil. Um já está em fase de testes nos céus de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, causando estrondos: “Voar mais rápido do que a velocidade do som cria uma onda sonora diferente, um estrondo sônico, que pode parecer mais um trovão do que o som de uma aeronave passando. Temos o cuidado de garantir que esses voos sejam realizados em áreas de teste designadas, em coordenação com as autoridades aeronáuticas e seguindo os procedimentos da Força Aérea Brasileira”, explica Sven Larsson, diretor do Centro de Ensaios em Voo do Gripen, da Saab. /PAULA BONELLI

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.