Piano com velas

Sonia Racy

04 de novembro de 2011 | 23h01

Felipe Scagliusi estará em São Paulo, dia 24, para as comemorações oficiais do centenário do Teatro Municipal. O pianista paulistano, de 33 anos, mora desde 2007 em Paris (quando foi estudar na Ecole Normale de Musique) e encontrou tempo na agenda lotada de compromissos para o recital. Ele conversou com a coluna direto da capital francesa.

Você se apresentou na última noite do Municipal, antes de o teatro fechar as portas para a reforma. O que espera encontrar neste retorno?

Aquele piano maravilhoso que o teatro recebeu em 2009. Uma joia! É muito prazeroso tocar no Municipal. Do palco a gente se sente “abraçado” pela plateia, acolhido mesmo.

Que peças você tocará?

A Partita nº 4 de Bach, a Sonata nº 2 de Scriabin e a Sonata nº 3 de Schumann.

Seu CD de Schumann recebeu ótimas críticas na Europa. O que mais vem por aí?

Foi uma surpresa muito boa. A Avie Records o lançou em 2010 em 52 países (não no Brasil, infelizmente) e ele chegou a integrar a lista da BBC inglesa dos 20 mais vendidos. Agora, estou pensando… tenho muita vontade de gravar Beethoven.

Que compositor você mais gosta de interpretar?

Difícil… porque o músico passa por fases e cada compositor é uma ilha, com seus respectivos atrativos. Mas confesso que, quando escuto Mozart, sinto uma alegria em ser músico sem igual. É uma música perfeita!

Como está a sua agenda de apresentações em 2012?

Tem recital em Paris no começo do ano (e também em setembro); e festivais de verão no sul da França. Além de concertos na Finlândia, Itália e Inglaterra. Devo tocar bastante no Brasil e na Argentina.

É mais fácil fazer música fora do Brasil?

A carreira artística tem uma série de dificuldades particulares, não importa onde você esteja. A arte não tem utilidade prática, e isso vai muito na contramão do mundo moderno. Aqui na Europa existem mais oportunidades, mas também tem mais gente tentando agarrá-las, né? Em alguns países, há mais acesso a uma boa formação musical (pelo menos para a música que eu faço), mais concertos acontecendo e bastante gente boa tocando. Isso tudo ajuda, mas não é uma carreira simples. Bom… não existe caminho fácil quando a gente quer ser o melhor possível naquilo que ama fazer.

/DANIEL JAPIASSU

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