Permanência de CEO na Qualicorp não foi bem entendida

Permanência de CEO na Qualicorp não foi bem entendida

Sonia Racy

04 de outubro de 2018 | 01h00

JOSE SERIPIERI JUNIOR, PRESIDENTE DA QUALICORP. FOTO: JONNE RORIZ/ESTADÃO

JOSE SERIPIERI JUNIOR. FOTO: JONNE RORIZ/ESTADÃO

O impacto negativo do contrato feito entre Qualicorp e Seripieri Junior, refletido na queda drástica do preço das ações da empresa na segunda-feira, parece resultar – segundo se apurou junto a fonte credenciada – da falta de compreensão do que significa a permanência do seu fundador e atual CEO.

Junior, que hoje detém pouco menos de 15% das ações da Qualicorp, estava decidido a deixar a empresa, desfazer-se gradativamente das suas ações e abrir um novo negócio… 100% seu.

E esse negócio poderia até ser no mesmo ramo da Qualicorp, já que não havia nenhum contrato de “não competição”.

Mas por que o acionista-executivo largaria a empresa que ele próprio criou? Consta que, desde 2008, Junior nunca teve pacote de remuneração de executivo, apenas pró-labore.

O mais recente, em valores atualizados, era de R$ 128 mil mensais brutos.

O resultado de seus esforços vinha exclusivamente por conta da distribuição de lucro no fim do ano, igual a qualquer acionista que não tem papel de executivo na Qualicorp. “Se Junior estivesse fora da empresa, ganharia a mesma coisa que os 85% dos acionistas restantes, sem porém ter de trabalhar nem assumir qualquer responsabilidade”, lembra essa mesma fonte.

No final do ano passado, suas reclamações se aprofundaram e a Qualicorp contratou empresa renomada no setor para redefinir plano de remuneração (e não o de “não competição”), para 2019, para todos os seus executivos.

Esse plano só foi definitivamente aprovado em abril passado, numa assembleia-geral extraordinária. “Já na época, Seripieri abriu mão da nova remuneração a que passaria a ter direito, e, de novo, se disse determinado a deixar a empresa”, conta a fonte.

Foi a partir da certeza de que o criador estava mesmo decidido a largar sua criatura, para novamente empreender fora dela, que o Conselho decidiu estudar e propor o contrato de “não competição”. E assim Junior ficará preso a um terço de seu capital, investido por no mínimo seis anos.

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