Periferias ganham voz no Spotify

Periferias ganham voz no Spotify

Sonia Racy

27 de junho de 2021 | 00h30

Da esq. para dir.: Ana Beatriz Felicio, Vagner de Alencar – cofundador e codiretor na Agência Mural, Gabriela Carvalho – correspondente da Agência Mural e Rômulo Cabrera. Crédito: Paulo Talarico/Agência Mural

Como atuar para aproximar as periferias dos grandes centros? Essas e outras questões serão abordadas por Ana Beatriz Felicio e Rômulo Cabrera, no novo podcast do Spotify, o Próxima Parada, que estreia amanhã. O programa pretende mostrar o dia a dia das periferias do Brasil e, em especial, da região metropolitana de São Paulo, por meio da ótica da Agência Mural – primeira agência de notícias sobre e feita pelas periferias. A coluna conversou com os apresentadores, residentes de Carapicuíba e Suzano, respectivamente, à frente da nova atração. Confira a conversa a seguir.

Qual é a intenção do podcast Próxima Parada?
Ana Beatriz Felicio: Ampliar as vozes de moradores das periferias e contar notícias que impactam a vida de quem vive por lá.

Rômulo Cabrera: Buscamos colocar as periferias no centro da conversa. Afinal, falamos periferias, no plural, porque elas são diversas e plurais, com as questões que conhecemos, mas também repletas de boas histórias. É mais uma oportunidade para reforçarmos o protagonismo dos moradores das quebradas, contribuindo para reduzir os preconceitos sobre esses bairros e desconstruir os estereótipos de violência, exclusão e vitimização associados às periferias.

Quais assuntos serão abordados?
Rômulo Cabrera: Todo tipo de assunto. Passando por economia, saúde, lazer e cultura.

Ana Beatriz Felicio: Partindo da linha editorial da Agência Mural, a gente só não fala sobre violência e ações assistencialistas, de fora pra dentro, que podem entrar e sair ao bel prazer, porque são temas que podem reforçar os estigmas e estereótipos que a gente tenta desmistificar com nosso jornalismo.

Rômulo Cabrera: Todos os assuntos serão abordados de forma descomplicada, em episódios curtos, e com uma linguagem que costumamos usar no dia a dia.

Qual é a situação das periferias na pandemia do coronavírus?
Ana Beatriz Felicio: Historicamente as periferias já são regiões menos favorecidas pelo poder público, isso é um fato.

Rômulo Cabrera: Com a pandemia, o abismo social que já tínhamos, mesmo dentro da cidade, se intensificou. Com isso, as periferias acabaram sendo as regiões mais afetadas durante a pandemia, seja realmente pelo vírus ou pela crise econômica e social que ele vem deixando. Por outro lado, a gente viu que, na maioria das quebradas, surgiram muitos movimentos de ajuda ao próximo, que as pessoas são unidas e buscam superar esses desafios.

Como está a fome nas periferias? Quais são as pautas mais urgentes?
Rômulo Cabrera: Temos visto que a extrema pobreza aumentou muito. Porque o vírus acabou trazendo sérias consequências econômicas, que impactam justamente a população mais pobre e já vulnerável. A inflação, por exemplo, recai mais em quem tem salários menores.

Ana Beatriz Felicio: A pandemia do coronavírus só tem mostrado que esse “novo normal” tem acentuado, ainda mais, as desigualdades no país.

Podem destacar algumas ações bacanas que estejam acontecendo nas periferias no momento?
Ana Beatriz Felicio: Existem inúmeras iniciativas que estão ajudando pessoas em situação de vulnerabilidade nas periferias. Entre elas: Panelas Vazias – promovida pelo G10 Favelas. A ação faz parte da campanha nacional que pretende levar comida para mais de 300 comunidades. Nós por Nós no novo normal – A fome não deve ser natural! – criada pela Rede de Apoio Humanitário nas e das Periferias, a campanha busca arrecadar alimentos para ajudar mais de 12 mil famílias moradoras das periferias de São Paulo. O portal Periferia em Movimento, junto com o Nós mulheres das periferias, organizou uma relação de coletivos e movimentos sociais nas periferias que estão recolhendo doações neste período. /SOFIA PATSCH

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