‘Perdemos um pouco a magia de fotografar’, diz Lenny Kravitz

‘Perdemos um pouco a magia de fotografar’, diz Lenny Kravitz

Sonia Racy

05 de abril de 2019 | 00h30

LENNY KRAVITZ/ DAVID HINDLEY

Nem só de música vive Lenny Kravitz. O americano – que toca no festival Lollapalooza amanhã, em Interlagos – abre exposição com suas fotografias hoje, na Leica Gallery. Serão 25 obras, todas feitas a partir de sua câmera Leica, criadas ao longo de turnês musicais. As obras deram origem a um livro homônimo à mostra: Flash.

O músico gosta tanto do Brasil que mantém uma fazenda no Rio de Janeiro que serve de base quando ele faz turnês pela América Latina. Kravitz respondeu a algumas perguntas para a coluna, por e-mail – mas não quis se pronunciar sobre política americana e nem sobre feminismo. Confira as respostas abaixo.

Quando você começou a fotografar profissionalmente?
Comecei a filmar profissionalmente em 2012, mas minha paixão pela fotografia realmente começou quando eu era criança. Veio do meu pai porque ele trabalhava para a NBC News. Ele cobriu a Guerra do Vietnã e tinha uma clássica câmera Leica com ele. Quando fiz 21 anos ele passou a câmera para mim. Por ficar tanto tempo em sessões de fotos para álbuns ou revistas, conversei muito com fotógrafos como Mark Seliger e Jean Baptiste Mondino sobre seu ofício. E finalmente decidi comprar minha nova Leica. Aprendi a fotografar da mesma maneira que aprendo instrumentos musicais – explorando e praticando.

Acha que as duas artes (música e fotografia) dialogam?
Completamente. Música evoca imagens. Por sua vez, as imagens também podem inspirar música. Comprei muitos álbuns no passado, por conta de obras de arte. Você pode ver uma foto de um artista em uma revista ou assistir a um vídeo musical e querer saber mais. Todas as bandas que eu amo projetaram uma presença ou imagem maior que a vida. Você se lembra dessas fotos icônicas de Jimi Hendrix ou Led Zeppelin? Definitivamente há um diálogo. Eu conheço fotógrafos que tocam música durante as sessões de fotos para se inspirarem.

O que muda na relação com as artes na era digital?
É mais fácil tirar e imprimir fotos ou gravar e compartilhar músicas. Ao mesmo tempo é menos táctil do que nunca. Muitas fotos nunca são impressas. Perdemos um pouco da magia. Quando você produz um rolo inteiro de filme, nunca vai saber o que está nele até receber os negativos. Agora, você pode filtrar o rolo da câmera e escolher o que quer ou não quer imprimir. A arte é mais fácil de criar e distribuir na era digital, mas perde um pouco de sua forma, formato e brilho quando existe num cartão de memória ou disco rígido.

Quais são as suas expectativas para o Brasil?
O Brasil sempre me dá energia inspiradora. Não há lugar como este. Há uma eletricidade real nos shows e é uma vibração incrível. Eu tenho muito amor pelo Brasil da cultura, arquitetura, comida e, claro, das pessoas/ MARILIA NEUSTEIN

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