Pela liberdade

Pela liberdade

Sonia Racy

16 de junho de 2012 | 01h11

Ao assistir à palestra do programa Free the Slaves, na ONU, Katie Ford – CEO da Ford Models de 1995 a 2007 – decidiu dar uma guinada. Aproveitou estar de saída da agência para mergulhar fundo na questão. A americana que, até então, não tinha conhecimento de trabalho escravo e tráfico de mulheres no mundo da moda, passou a ser uma importante combatente desses casos pelo globo.

À frente da fundação que leva seu nome, foi convocada pelo Itamaraty para divulgar a cartilha lançada pelo ministério, semana passada, sobre orientação para trabalho no exterior, destinada a modelos, jogadores de futebol e outros profissionais. Em São Paulo, conversou com a coluna.

Por que decidiu trabalhar por essa causa?

Foi imediato. Logo no primeiro contato com essas informações, fiquei impressionada com o número de trabalhadores escravos que ainda existem hoje em dia. E soube, de cara, que queria trabalhar na prevenção ao tráfico de pessoas.

Como se preparou?

Passei um ano só me informando, visitando países, conversando com ONGs, investigando soluções com parceiros. Até que, no ano passado, resolvi abrir minha fundação e passar essas informações adiante. A cartilha brasileira, por exemplo, é muito importante. O Brasil tem um bom modelo de combate ao trabalho escravo. O resto do mundo tem de olhar para isso.

De que maneira a experiência na Ford te ajudou?

Por ter sido agente muitos anos, sou familiarizada com mulheres jovens vulneráveis. Elas chegam a NY mal sabendo falar inglês. E situações violentas podem acontecer. Existe uma grande ingenuidade. São iludidas pela ideia de que vão ser famosas e ganharão muito dinheiro. Por isso é tão importante conversar e informar as lideranças do mercado de cada país para prevenir esse tipo de situação.

Falta de informação?

Sim. Há uma ilusão. Existem pessoas que se dizem agentes e são sequestradoras. Com a promessa de se tornarem modelos, meninas acabam sequestradas e levadas à prostituição.

Quais são as principais iniciativas preventivas?

Trazer o assunto à tona. Falando sobre isso, a informação chega aos pais e às meninas, que são potenciais vítimas. Outra coisa muito importante é checar. Esses agentes falsos são muito sedutores, dizem o que elas querem ouvir. Se você não está na indústria, é difícil discernir. Por isso, deve-se falar com grandes agências, associações.

E quais são os maiores desafios do combate?

Processos e punições. A informação é importante, mas a elaboração de leis punitivas é que resolve. Enquanto houver impunidade, a escravidão irá continuar./MARILIA NEUSTEIN

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