Pedro de Camargo Neto explica preconceito contra o boi e os desafios do setor agropecuário

Pedro de Camargo Neto explica preconceito contra o boi e os desafios do setor agropecuário

Sonia Racy

08 de outubro de 2020 | 00h30

Pedro de Camargo Neto / Foto: Arquivo Pessoal

Pedro de Camargo Neto, fazendeiro, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, criador de gado, defende ser responsabilidade de Bolsonaro a execução da política ambiental. “O discurso do ministro Ricardo Salles é forte, porém, seu estilo beligerante não tem resolvido”, afirma. 

Para ele, O ICMBIO e Ibama são autarquias que sempre foram muito difíceis e as repetidas mudanças na gestão não ajudaram. “Menos com menos não necessariamente dá mais. Pode dar menos dois”, opina o ex-secretário do Ministério da Agricultura. 

Camargo Neto acredita que existe preconceito contra o boi. Não seriam a demanda por carne e uma pretensa baixa produtividade da pecuária a incentivar o desmatamento, e sim a falta de fiscalização que “induz o roubo de terras, a exploração rudimentar madeireira, terminando com a semente e o capim. O boi é reflexo das falhas do poder de polícia dos governos.”.  

O setor agropecuário, na sua opinião, é tecnologicamente moderno e sustentável. Entretanto, a imagem está prejudicada pelo garimpo ilegal, extração madeireira ilegal e grilo de terras públicas. Camargo Neto não concorda que as exportações agropecuárias ‘estão no fogo’. “Elas vão bem. O fogo está na Amazônia, no Pantanal, nos canaviais de São Paulo”.  

O pecuarista aponta que no início do ano passado, o governo federal sinalizou certa complacência com ocorrências irregulares na Amazônia. “O garimpo ilegal persiste, inclusive com tratores e caminhões. A tecnologia, de fotos de satélite e inteligência artificial, está disponível e poderosa, tinha de ser mais bem usada”.  

E o desmate legal? “Ele está sendo pressionado e isso somente atrapalha. Vamos sempre defender a lei em vigor, o Código Florestal. O desmate legal é hoje mínimo, quando existente. Não tenho visto autorizações de desmate na Amazônia”. 

Os grandes frigoríficos estão se comprometendo a rastrear seus produtos garantindo a legalidade ambiental. Vai dar certo? “ONGs europeias sempre pressionaram. Fazem passeata na calçada em frente do supermercado. Nos últimos anos facilitamos, dando margem para ampliarem suas críticas. Precisamos garantir o pequeno pecuarista, e são milhares, que sem a regularização fundiária, serão marginalizados. A rastreabilidade que precisamos não é a do produto e sim a territorial com imagens de satélite e inteligência artificial. Com o território regularizado, a produção também estará.”  

E a fusão dos ministérios do Meio Ambiente com Agricultura? Funcionaria? A questão agrícola é mais simples, embora esteja sendo usada para mostrar a inoperância do atual Ministério. 

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