Para Trabuco, crescer exige ‘vencer a batalha do ajuste’

Sonia Racy

06 Dezembro 2018 | 00h57

LUIZ CARLOS TRABUCO

LUIZ CARLOS TRABUCO. FOTO: CLAYTON DE SOUZA/AE

Luiz Carlos Trabuco Cappi recebeu na terça-feira à noite, em nome do Bradesco, o prêmio de melhor banco brasileiro de 2018, dado anualmente pela revista Latin Finance, em Nova York. Quem venceu o prêmio top da região? O canadense Scotiabank. De lá, o presidente do conselho de administração do Bradesco conversou com a coluna sobre suas expectativas com relação ao cenário futuro – o do governo de Jair Bolsonaro.

Ajuste fiscal para valer não gera crescimento, pelo contrário. No seu ver, o novo governo deve começar pelas reformas ou por medidas de crescimento?

A agenda está dada: reforma e ajuste fiscal primeiro. Sem acertar o Orçamento não há espaço para investimentos. Sem vencer a batalha do ajuste, não haverá a batalha do crescimento.

Paulo Guedes tem o perfil para negociar as reformas?
Paulo Guedes tem ideias, convicções. Pode encaminhar a volta de um crescimento vigoroso se conseguir dar funcionalidade ao Estado e recuperar a capacidade de investimento. Corrigir a trajetória explosiva das contas públicas é a base da reconstrução.

Roberto Campos Neto, novo presidente do BC, não é economista conhecido. Vai dar conta do recado?
Sim. O conhecimento econômico está cravado no neto do brilhante Roberto Campos. Adicione isso à sua formação acadêmica e à experiência que adquiriu no mercado financeiro, e teremos aí os elementos de convicção para uma gestão serena e de credibilidade.

Os novos presidentes do BB e da Caixa têm a missão de privatizar áreas dos bancos. O Bradesco tem interesse? Exemplo, área de Seguros?

O Bradesco sempre tem interesse em agregar valor ao seu negócio. Vamos olhar, claro.

Alguma satisfação especial em ver Joaquim Levy, que foi do Bradesco Asset, de volta ao governo federal?
Joaquim Levy é um homem culto, inteligente e técnico de excelência. Vai contribuir bastante para criar condições para a urgente volta dos investimentos.

O Bradesco foi atuante no último programa de privatizações, comprando a Vale. Há planos de atuar como protagonista de novo?

Acreditamos em foco. Fora do negócio bancário não há interesse. Os tempos são outros.

Qual é, a seu ver, o futuro do dinheiro? E o das agências bancárias?
O dinheiro não vai acabar, tampouco as agências bancárias. Mas vivemos um ciclo que exige sair da zona de conforto. Precisamos estar atentos em buscar inovação e soluções disruptivas.