“Para ter qualidade precisa desideologizar”, diz Frederico D´Ávila

“Para ter qualidade precisa desideologizar”, diz Frederico D´Ávila

Sonia Racy

28 de dezembro de 2018 | 00h20


FREDERICO D’AVILA. FOTO EPITÁCIO PESSOA / ESTADÃO

Texto alterado às 14h20 para correção de conteúdo.

Produtor agropecuário, 41 anos, filiado ao PSL de São Paulo, o advogado não praticante Frederico D’Ávila assume em 2019 como deputado estadual, com cerca de 25 mil votos. Neto, bisneto e primo de várias gerações de políticos do Nordeste – a começar por Nilo Coelho, que presidiu o Senado no governo Figueiredo –, a partir de 2006 ele trocou sua rotina na fazenda pela política, integrando-se na campanha de Geraldo Alckmin à Presidência. Sua missão? Ajudar o tucano a criar bases no Nordeste. “Andei com ele a campanha inteira e aprendi bastante”, diz o deputado sobre essa iniciação eleitoral.

Desde então, o irmão de Felipe D’Ávila – aliado de Alckmin – andou por PFL, DEM, PSDB, PP… até que, em janeiro passado, teve de tomar uma decisão. “Eu já pressentia que (Jair) Bolsonaro ia ganhar a eleição”, explica, para explicar sua ida para o PSL. Próximo de Eduardo Bolsonaro, ele explica nesta entrevista o que pretende – lutar pela militarização de escolas e levar temas ambientais para a Secretaria de Agricultura.

Quando e por que você escolheu o PSL?
Foi em abril. Falei antes com o Geraldo (Alckmin). Como amigo, lhe disse: “Olha, acho que o sr. não deve se arriscar nisso…” E optei pelo PSL, onde queriam até que eu saísse pra governador. Pensei: 12 segundos na TV, partido formado de última hora, Doria de um lado, Marcio de outro… Vou ser liquidado, né?

Já conhecia Jair Bolsonaro?
Há uns 5 ou 6 anos. Apesar de ele não ter sido da bancada ruralista, sempre que tinha votação importante a gente se falava. Aí o Eduardo saiu candidato em 2014, a deputado, o Jair pediu pra lhe dar uma mão e levei o candidato pra conhecer o pessoal da Polícia – no quartel da cavalaria, no da Rota, Comando Geral…

Como conhecia esse pessoal?
Eu trabalhei com a maioria deles no Palácio (dos Bandeirantes) na época de Alckmin. Eduardo é do Rio, mas já morava em São Paulo, era agente da PF em Cumbica. Ali por 2015 já éramos um grupo, o Jair entrou num crescendo da candidatura. E começaram esse projeto de “vamos fazer uma coisa diferente”.

Diferente como?
Veja o Geraldo, entrou numas de unanimidade. Em 2014 ele ganhou em 644 dos 645 municípios do Estado. Achou que tinha de falar com todo mundo, numa hora em que a população não queria mais conchavo, demandava uma posição, não ficar integrado com todos os setores, entende?

Tem projetos já pensados para apresentar na Assembleia?
Tenho. Quero fazer uma coisa que o próprio Jair defende, que é a militarização de algumas escolas para servir de padrão. Você pega quadros da Polícia Militar já aposentados, que têm experiência comprovada, e aplica um mecanismo que já existe no Exército, o RTTP. Contrata de novo quem estava na reserva, paga 30% a mais da pensão e ele passa a prestar um serviço.

Que significa militarizar, nesse caso?
Escola militarizada é diferente da escola militar. Não vai formar militares, vai ter uma disciplina militar. Hasteamento de bandeira, uniforme…

Pra que isso?
Para aumentar a qualidade do ensino. Nas escolas militarizadas você tem os melhores índices de Pisa, de Enem. Minha proposta é fazer uma escola assim por cada município do Estado. É um modelo. O pai que quiser põe o filho, se não quiser não põe. E ela vai subir o nível. Vai dar ênfase na matemática, interpretação de texto, formar técnico no segundo grau. Em eletricidade, computação, enfermagem, entendeu? O Brasil precisa de muitos técnicos. E virou uma indústria de nível universitário que, no fim, não serve pra nada.

Mas por que a palavra militarizar? E não se pode ter disciplina…
É que você não consegue. Mas não é todo o corpo da escola que vai ser militar, a cúpula vai ser. Diretor e coordenadores são da polícia, alguns professores até podem ser, mas não em todas as matérias.

Já falou com Doria sobre isso?
Nao, mas vou falar. Outra proposta que tenho é levar tudo o que é licença ambiental relativa à agricultura para a área da Agricultura. Açude, represa, instalação de granja… Desmatamento não, porque em São Paulo não tem mais o que desmatar. Quero tirar do Meio Ambiente, levar pra Agricultura. Na Secretaria do Meio Ambiente você tem os setores ideológicos que bloqueiam as coisas. E os setores esclarecidos, lá, têm medo do Ministério Público. O cara do Meio Ambiente não sabe o que significa uma área irrigada diante de outra que produz mais com menos recursos.

Ao invés de juntar as duas não poderia treinar os técnicos de outra forma?
Pode, só que, de novo, você tem que desideologizar. Você tem nos postos gente ideologizada que não vai ter ajudar.

O que é ser de direita hoje?
Ser de direita é ser direito. Ter liberdade pra fazer as coisas, até o ponto em que não perturbe o outro. A esquerda mundial hoje, que é a esquerda de sempre, quer regular todos os setores do convívio social, regular tudo…

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