Para líder de ONG de resgate animal, 2021 foi difícil por devolução de pets adotados por impulso

Para líder de ONG de resgate animal, 2021 foi difícil por devolução de pets adotados por impulso

Marcela Paes

25 de dezembro de 2021 | 00h30

Marcela Rohde. Foto: Silvana Garzaro

No meio da proteção animal há 20 anos, Marcela Rohde Abate passou um 2021 difícil na administração da ONG Recanto Bicho Feliz, em Ibiúna, no interior de São Paulo. Se no começo da pandemia, em 2020, houve um boom na adoção de animais – na maioria cachorros e gatos, com o intuito de servir de companhia aos donos em lockdown – este ano trouxe a resposta das adoções feitas por impulso: quantidade recorde de devoluções dos pets adotados.

“Houve um aumento muito significativo de adoções, principalmente de filhotes, e agora muitos cães estão sendo devolvidos já adultos e de porte médio a grande, o que dificulta uma nova adoção”, explica.

Com cerca de 300 cachorros esperando a chegada de uma família em seu espaço, Marcela também cuida de 13 porcos – que são novidade entre os habitantes do Recanto. “Nós resgatamos uma porca prenha que seria vendida para um abatedouro. Ela estava prestes a ter seus filhotes. Nasceram 10 porquinhos lindos e sadios”, diz ela, que elenca este momento como um dos mais emocionantes do seu ano.

Além do cuidado diários das centenas de animais, uma das principais dificuldades da ONG é a verba para conseguir alimentar os bichinhos com os 100 kg diários de ração necessários para a missão. “Se eu pudesse pedir um presente para o Papai Noel, seria conseguir quitar a conta com o distribuidor de ração, que atualmente beira os R$ 50 mil. Também gostaria de melhorar a estrutura, especialmente para dividir os cães saudáveis dos que estão em quarentena”, diz.

Se dedicando aos cuidados com os animais desde que saiu de seu emprego em 2012, Marcela mora na sede da ONG e conta que mesmo sem feriado, férias e muito pouco descanso, não largaria a função. “Resgatar um animal muitas vezes em condições terríveis, conseguir cuidar dele e encaminhar para uma adoção não tem preço” .

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