Para ex-secretário de Agricultura, política de créditos de carbono é insuficiente para melhorar questão ambiental

Sonia Racy

07 de abril de 2021 | 00h40

O Brasil está longe de ser um dos responsáveis, mas pode, porém, ser um grande perdedor com o aumento da temperatura global e mudança climática. A observação, feita ontem em conversa com a coluna, é de Pedro de Camargo Neto, produtor rural e ex-dirigente da SRB.

Razão? A extensão territorial e a importância da agricultura para o País – que depende do clima. “O governo deveria garantir essa prioridade”, diz. Para ele, a solução não virá por meio do Brasil receber ou pagar por créditos de carbono. “Essa não pode ser a razão de ser da política nacional, como se tornou atualmente”, complementa.

O também ex-secretário da Agricultura no governo FHC defende ser necessário pressionar os emissores a mudarem suas economias e modos de vida. “Priorizar o recebimento de recursos com a finalidade de cumprir a lei do desmatamento fragiliza a posição negociadora. Perdemos altivez”.

A transferência de recursos já é prevista no Acordo de Paris, mas para Camargo Neto, está longe de ser a medida principal. “O essencial é reduzir emissões de gases de efeito estufa. A gravidade da questão demanda o desenvolvimento de políticas condizentes com a situação”.

A solução é obrigatoriamente global, “pois se somente um país emitir GEE em excesso, prejudica a todos”. Para ele, o aumento da temperatura implica em prejuízos ainda desconhecidos e possivelmente…distantes dos responsáveis por emissões de gases”.

Ponto de vista

Não se sabe se Eduardo Cunha vai revelar tudo que sabe. Mas pelo que a Editora Matrix traz, seu livro Tchau, Querida: O Diário do Impeachment tem como um dos focos sua relação com o governo do ex-presidente Michel Temer. A obra já está em pré-venda e sai dia 17.

Muitas histórias

Episódios importantes dos 60 anos do Teatro Oficina serão mostrados no filme Máquina do Desejo, dirigido por Lucas Weglinski e Joaquim Castro.

Em uma das cenas do longa – com estreia marcada para sábado, no festival no É Tudo Verdade – Zé Celso Martinez e Elke Maravilha invadem (literalmente) o gabinete do então deputado Paulo Maluf, que entra no clima e acaba improvisando o papel do deus grego Pentheu diante de incrédulos assessores.

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