Para especialistas da saúde é preciso olhar para segunda e terceira geração do vírus

Para especialistas da saúde é preciso olhar para segunda e terceira geração do vírus

Sonia Racy

07 de janeiro de 2021 | 00h50

ALEX SILVA / ESTADÃO

A lotação, neste início de ano, dos hospitais por novos pacientes infectados pela covid-19, é resultado da soma de uma forte irresponsabilidade e da saturação psicológica da população. Além de embates políticos.

Essa é a avaliação de três médicos ouvidos ontem pela coluna. “No começo, pensamos que a pandemia iria causar sofrimento, mas seria resolvida. As pessoas se cuidaram pois tinham medo. Tanto alguém de 80 anos com insuficiência cardíaca, bem como adolescente de 14 anos. Ninguém queria encostar em maçaneta de porta. Alguém tossia ao lado, o vizinho se desesperava”, lembra um deles.

Hoje, esse infectologista – que atende em hospitais públicos e privados – assiste o dobro de pacientes internados na comparação com o auge da pandemia, em abril.

Na mesma linha, outro médico ressalta que o Brasil saiu de uma corrida de 100 metros, que parecia ser a solução para o problema, para enfrentar uma maratona de 44 km. “O fôlego que se fez lá no começo para enfrentar o vírus deveria ter sido maior, mais intenso e com mais comprometimento”.

No seu ver, vive-se o momento mais difícil da pandemia.

A vacina, concordam os três, que era a esperança, se transformou em algo complexo. “Ninguém esperava eficácia tão alta nos primeiros resultados, mas a implementação se mostrou mais dependente de adoção de políticas preparatórias e estratégicas”.

A discussão sobre vacinas no Brasil, na visão dos entrevistados, deveria ter tomado lugar em maio, quando se começou a anunciar estudos científicos pelo mundo. “Hoje, vamos deixar de nos preocupar porque tem uma ou duas vacinas no Brasil? Tem 300 em desenvolvimento pelo mundo. Onde está a urgência de se saber o que vem na segunda, na terceira geração do vírus?”, desabafa um deles.

O negacionismo ‘de lá de trás’ colocou a discussão rumo a obtenção soluções tecnológicas e científicas, fabricadas também no País, em segundo plano – por causa do debate político. “Se você quiser enfrentar problemas no futuro, não tem que ter submarino, tem que ter tecnologia e ciência”.

 

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