Pão amanhecido

Sonia Racy

29 Junho 2011 | 23h07

A contar dos telefonemas que esta coluna recebeu ontem, a artilharia contra a proposta de unir Pão de Açúcar e Carrefour vai se intensificar. As críticas vão desde a classificação da operação como “antiética e ilegal”, como já declarou o Casino oficialmente, até “vamos virar uma Rússia”.
O que mais incomodou boa parte dos fornecedores e fontes brasileiras ligadas ao Casino, além da questão de quebra de contrato, é o apoio que o BNDES dá à operação. “O Abilio está usando o governo Dilma para fazer pressão sobre seu sócio francês”, colocou um conhecido empresário brasileiro cuja empresa hoje está internacionalizada. “A ajuda do BNDES, em uma briga entre sócios privados, afeta negativamente a imagem do Brasil lá fora. Se aprovada, à revelia do Casino, certamente seremos equiparados a governos como o da Rússia, China e Argentina”, lembra um manager de fundo gigante de investimento, sócio de várias empresas no Brasil. Mesmo sabendo que Luciano Coutinho, do BNDES, declarou ao Estado que o banco apoiará operação “não-hostil”. “Ele tem que ser mais claro nisto e destacar esta condição.”