‘Outras pessoas não vão passar pelo que passei’, diz advogada constrangida em presídio

‘Outras pessoas não vão passar pelo que passei’, diz advogada constrangida em presídio

Sonia Racy

28 de maio de 2019 | 00h50

CONSELHEIROS DA OAB DE SÃO PAULO APROVAM DESAGRAVO À LUCIELI REGINA DA SILVA. FOTO: JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/OAB-SP

CONSELHEIROS DA OAB DE SÃO PAULO APROVAM DESAGRAVO À LUCIELI REGINA DA SILVA. FOTO: JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/OAB-SP

Na entrada do CDP Belém I, na Zona Leste de São Paulo, a advogada criminalista Lucieli Regina da Silva ficou com sua carteira da OAB retida por agentes penitenciários, sem poder buscar o celular no carro. Recebeu, conta ela, apenas uma instrução: “A senhora tem que aguardar”.

Só se deu conta do que estava acontecendo quando agentes femininas foram chamadas para olhar a imagem gerada pelo body scanner. “Aí eu fui entender que todo aquele circo era por causa do meu absorvente interno”, disse à coluna, ontem, na sede paulista da Ordem.

Depois de muitas idas e vindas, ela acabou atendendo seu cliente em uma sala com cinco agentes. “Com todos ouvido o que eu estava falando”, afirmou. Pela lei, presos e seus advogados têm direito a entrevista pessoal e reservada.

O constrangimento fez com que os conselheiros da OAB-SP aprovassem, ontem, por unanimidade, um desagravo à criminalista. Por demanda dos presentes, a diretoria da Ordem paulista vai criar um grupo de trabalho para analisar se devem entrar com uma ação civil pública para tratar do assunto.

A entidade vai também oficiar a polícia, para que ela apure as responsabilidades administrativa e criminal dos agentes envolvidos na violação das prerrogativas. A coluna acompanhou a sessão.

O caso está na esteira de queixas de advogados de que é preciso se defender de ataques contra a classe. O procedimento de entrada nos presídios é uma das preocupações, já que juízes, promotores de Justiça, oficiais de Justiça e defensores públicos não são obrigados a passar pelo body scanner ao entrar em presídios.

“Tendo em vista a inexistência de hierarquia entre os entes e o princípio da isonomia, a advocacia está sendo atacada. É uma forma de constranger”, argumenta a também criminalista Ana Carolina Moreira Santos, relatora do caso na OAB.

“As prerrogativas dos advogados são consequência de direitos do cidadão, a advocacia que representa a cidadania perante o poder”, diz Ana Carolina.

Como que Lucieli se sente depois da reunião da OAB paulista? “Feliz. Fui acolhida (pela classe) e acho que esse caso vai seguir o trâmite que deve para isso não ficar assim. Outras pessoas que vierem depois de mim não vão ter que passar pelo que eu passei.” /PAULA REVERBEL

CONSELHEIROS DA OAB DE SÃO PAULO APROVAM DESAGRAVO À LUCIELI REGINA DA SILVA. FOTO: JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/OAB-SP

CONSELHEIROS DA OAB DE SÃO PAULO APROVAM DESAGRAVO À LUCIELI REGINA DA SILVA. FOTO: JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/OAB-SP

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