Osesp abre a fase dois em tom maior

admin

07 de março de 2009 | 11h52

O olhar satisfeito e o sorriso largo de Fernando Henrique Cardoso, Pedro Moreira Salles, Rubens Barbosa – presidente e membros do conselho da Osesp – no camarote oficial, eram o melhor retrato, anteontem à noite, do recomeço da Osesp.

Até o jeito maroto do maestro Yan-Pascal Tortelier, que ao final olhava para eles como que dizendo “viram o que eu fiz?” indicava: a orquestra paulista inaugurou a fase dois, pós-Neschling, com o pé direito. Com plateia lotada, longos aplausos e uma amostra, em duas peças difíceis, de que o regente é do ramo.

Tortelier é um calculista. Regeu tudo sem partitura – até o Hino Nacional, como se tivesse com ele grande intimidade. Mais “físico” que o antecessor, pontuava e dançava, em rápidos movimentos de ombros ou pescoço, as mãos atentas, como se a orquestra fosse, ela própria, o seu teclado. E escolheu, para a estreia, uma peça – as Variações Enigma, de Elgar – que permite ao maestro exibir, tudo o que sabe. Como brincava o crítico Lauro Machado Coelho, “ele era uma raposa entrando na cova dos leões. Tinha de mostrar tudo de uma vez só.”

Foi a noite, também, de Cláudia Tonio. Adversária de John Neschling, demitida por ele em 2002, a diretora, agora como assessora de João Sayad na Secretaria da Cultura, reapareceu à vontade.

“Começamos uma nova fase, e a orquestra tem um grande caminho pela frente”, resumiu FHC. “Ele é um grande profissional, muito bem-vindo”, definia Horácio Piva. À volta deles, uma plateia que torcia, claramente, para que tudo desse certo – ao mesmo tempo em que reconhecia os méritos de John Neschling, que trabalhou para fazer o grupo chegar aonde chegou.

E daqui para a frente? FHC não faz mistério: o futuro da orquestra está em aberto. “Vamos avaliar todas as hipóteses para 2010, discutir nomes, inclusive o do próprio maestro que chega.” A programação está feita, e há tempo de sobra “para a melhor decisão.”

(Gabriel Manzano Filho).

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