“Os chefs deste séculos são influenciadores”, diz presidente de escola de gastronomia

“Os chefs deste séculos são influenciadores”, diz presidente de escola de gastronomia

Sonia Racy

26 de junho de 2019 | 00h36

Foto Gianne Carvalho

Presidente e dono da Le Cordon Bleu, uma das escolas de gastronomia mais prestigiadas do mundo, monsieur André Cointreau fez rasante pelo Brasil esta semana. Passou por São Paulo, onde se reuniu com os sócios brasileiros da Ânima Educação e, depois, seguiu para o Rio, para participar da abertura oficial da sede carioca.

A escola atua em 20 países e controla 35 unidades. André tem origem duplamente enraizada no universo da bebida (Cointreau e Rémy Martin) e se formou na Hautes Études Commerciales, especializada em formar executivos. E depois de seu envolvimento nos negócios da família, virou a própria mesa em 1984, ao comprar a mais tradicional escola de culinária do mundo, a Le Cordon Bleu. Por que demorou tanto tempo para vir ao Brasil? “Esperamos um oportunidade, mas estamos de olho na lista local de ingredientes, nos índios da Amazônia que usam ingredientes desconhecidos”. Cointreau respondeu perguntas da coluna.

O mercado da gastronomia está crescendo?
Sim, as pessoas estão cada vez mais interessadas em descobrir novos produtos, ingredientes, maneiras de preparar e saborear pratos. Há também canais de comida na internet impulsionando a curiosidade nas redes sociais. O mercado crescendo positivamente, garantindo fusão gastronômica entre países. Ano que vem a Le Cordon Bleu celebra 125 anos com eventos no mundo inteiro.

A profissão de chef é cada vez mais valorizada?
Há algumas décadas ela era geralmente considerada de profissionais que estavam trabalhando duro, sem chances de sucesso social e financeiro. Hoje isso mudou. É considerada uma carreira rica e reconhecida. Os chefs dos séculos 20 e 21 são influenciadores. Essa popularidade se deve à mídia e aos shows culinários que estão impulsionando o chef como artista, pessoa carismática que agrada a clientes e a espectadores. É uma reviravolta na profissão. A Cordon Bleu apoia o futuro chef para descobrir sua personalidade, sublinhando que a culinária é um desafio e que o objetivo não é apenas estar no foco, mas ter sucesso na vida com respeito e atitude positiva.

Qual é a sua dica para quem quer aprender a cozinhar profissionalmente?
Tendo observado muitos tipos de estudantes e jovens profissionais. Minha dica é que sejam perseverantes, respeitosos e joguem em equipe. Depois de alguns anos na indústria, se quiserem ir além, deem mais um passo e se tornem empreendedores.

O que você acha da gastronomia brasileira?
O Brasil tem muitos recursos naturais, culturas cruzadas. A mistura entre natureza, recursos e mestiçagem dá uma infinidade de preparações e receitas. Vejo também que a nova geração se orgulha de apresentar uma espécie de ‘nouvelle cuisine’ proveniente do patrimônio ancestral, somado ao uso de novas técnicas e tecnologias. / MARILIA NEUSTEIN

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