Em exposição no Tomie Ohtake, Maxwell Alexandre mostra negros empoderados

Em exposição no Tomie Ohtake, Maxwell Alexandre mostra negros empoderados

Marcela Paes

08 de maio de 2021 | 00h40

Maxwell Alexandre. Foto: Nilton Santolin.

Criado na favela da Rocinha, no Rio, onde vive e tem seu ateliê, Maxwell Alexandre não gosta do reducionismo atrelado à sua origem. “Eu sei que essa narrativa de dizer que eu sou de lá é ‘vendável’, mas acho constrangedor quando dizem que eu ‘pinto o cotidiano da Rocinha’. Não é só isso”, ressalta o artista.

O público poderá ver parte indissociável da vida de Alexandre na comunidade por meio da exposição Pardo é Papel, que começa hoje no Instituto Tomie Ohtake. A mostra já passou pelo Museu de Arte Contemporânea de Lyon e pelo Museu de Arte do Rio e vai para Bienal da Tailândia em julho, além de constar na agenda do The Shed, em Nova York, em 2022. Cheio de imagens de força, o trabalho é uma celebração do povo preto, da autoestima e da bonança.

“São painéis sobre vitória, sem mazela”, diz. Como o nome da mostra sugere, também traz questionamentos sobre a palavra “pardo”, que ganhou contornos negativos dentro do movimento negro. “Minha obra é bastante política, não tem como fugir, mas não tenho compromisso com isso, não carrego essa amarra”, explica.

Assim que conheceu o trabalho de Maxwell e depois o artista, Francis Reynolds, do Instituto Inclusartiz, o convidou para fazer uma residência na Delfina Foundation, em Londres. “Achei que com isso ele teria um espaço fora do contexto do Brasil para ampliar seus contatos. E assim foi”, diz ela.

Caseiro mesmo antes da pandemia, Maxwell aproveitou o isolamento para trabalhar. Está desenvolvendo uma nova série de obras chamada Distanciamento Social. Nela, a camiseta usada como uniforme na escola pública sobe para o rosto, como uma forma de proteger do vírus. “A camisa da escola pública já carrega um estigma que faz com que distanciamentos aconteçam mesmo sem pandemia”, explica.

Nem as novas experiências fora do Brasil o fizeram mudar de ideia sobre algo que já achava antes de sair do País: considera o Rio o melhor lugar para criar suas obras. “Nada funciona, o mundo está acabando. A Europa é maior paz, maior tédio. No Rio, se você não acelerar, você perde. Essa urgência faz a arte ser boa’.

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