O que Lula e Obama têm para conversar

Redação

16 de janeiro de 2009 | 06h00

Brasil e Estados Unidos deverão explorar, daqui para a frente, suas afinidades “em áreas como combate à pobreza e à fome, os temas ambientais e o fortalecimento do multilateralismo”. A quatro dias da posse de Barack Obama, as previsões são feitas pelo embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota, para quem “não se pode excluir um encontro bilateral nos próximos meses (entre Lula e Obama).” O embaixador respondeu, por e-mail, a perguntas da coluna.

Com a posse de Obama, na próxima terça, o que o Brasil pode esperar?
As relações bilaterais vivem momento positivo com aplicação das agendas política e econômica e a criação de novos mecanismos de cooperação (biocombustíveis, Forum de Altos Executivos, Plano de Ação Conjunta contra a Discriminação Racial, entre outros). Caberá consolidar os progressos realizados e explorar as afinidades que deverão surgir em áreas como o combate à pobreza e à fome, os temas ambientais e o fortalecimento do multilateralismo.

Há perspectiva de visita do novo presidente à América do Sul e ao Brasil em particular?

Não se pode excluir um encontro bilateral nos próximos meses. Mas o que há de concreto, por enquanto, são duas reuniões multilaterais – a saber, a II Cúpula sobre Mercados Financeiros e Economia Global, no início de abril, em Londres (o G-20) e a Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, entre 17 e 19 de abril.

A crise mundial é grave, não há dúvida. Teria Obama, no bolso, alguma fórmula mágica? As expectativas sobre o que ele pode fazer não estão altas demais?
A percepção dominante é de que a recessão nos EUA provavelmente persistirá durante 2009 e só começará a ceder em meados de 2010. O presidente eleito deverá concentrar-se em impedir um agravamento da crise, mediante políticas econômicas e fiscais que apresentem resultados rápidos, sobretudo em termos de estímulo ao crédito e ao consumo. Expectativas muito elevadas acarretam responsabilidades acrescidas, mas também oferecem uma oportunidade política para uma concertação envolvendo o Legislativo, o setore privado e a sociedade civil.

Como o senhor analisaria a equipe econômica do novo presidente? São mais “keynesianos”? O que vai acontecer com o livre mercado?
A nova equipe de governo é integrada por profissionais experientes. Vários deles passaram pelo setor privado. Tendo em vista as circunstâncias específicas em que assumirão, terão que lidar com a questão da redefinição do Estado na economia, a fim de impedir que outras crises ocorram no futuro, por falta de supervisão, transparência e controle.

Como o senhor vê a inversão de prioridades deflagrada pela guerra na Faixa de Gaza? Hillary, atrelada fortemente à comunidade novaiorquina, tem as armas necessárias para costurar um acordo de paz?
O relevante é ter em mente o compromisso do presidente e da senadora com a criação de um Estado palestino, garantida a segurança do Estado de Israel. O presidente eleito deu várias indicações, ademais, de que se desdobrará sobre o tema na fase inicial de seu governo – em contraste com seus antecessores.

Há notícias de que o novo secretário da Agricultura quer eliminar a tarifa no etanol em casos especiais, para fabricação do E-85. É verdade?
O futuro secretário de Agricultura é entusiasta dos biocombustíveis e já defendeu publicamente o fim da tarifa sobre o etanol brasileiro. Para Tom Vilsack, o fim dessa tarifa estimularia as importações de etanol do Brasil e, como consequência, o consumo do biocombustível nos EUA, gerando incentivos para que a indústria automotiva produza mais carros “flex fuel” movidos a E-85.

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