‘Dilma não é pobre’

Sonia Racy

06 de outubro de 2014 | 01h20

Fernando Henrique Cardoso almoçou, ontem, com sua mulher, Patrícia Kundrát, na casa de Andrea Matarazzo (foto). Descontraído, não tinha dúvidas de que Aécio passaria para o segundo turno. Sobre o apoio de Marina, se mostrou esperançoso, mas não definitivo. “Eu falei sobre isso antes das eleições. Sempre fui favorável ao vice-versa (que Aécio apoiasse Marina ou que Marina apoiasse Aécio no segundo turno). Está na hora do versa!” A seguir, os melhores trechos da conversa com a coluna.

Como o PSDB está se preparando para o discurso do PT no segundo turno, de ricos contra pobres?
Em primeiro lugar, olha a Dilma: ela é pobre? Ela não foi educada no Colégio Sion? Ela não está gordinha, bem de vida? E isso é contra ela? Não é. O importante é saber qual a posição da pessoa frente à pobreza. O PSDB fez as políticas sociais do Brasil, demos um impulso depois de fazermos ajustes fortes e acabarmos com a inflação. Com isso, caiu a pobreza. Em segundo lugar, o PSDB ganha em São Paulo. Quem é que vota no Geraldo (Alckmin)? São os ricos? Tem tanto rico assim? Isso é uma invenção, querem colocar essa marca em nós. Nosso papel é desconstituir a mentira.

Qual a estratégia?
No segundo turno, os dois candidatos têm tempo igual. Vamos mostrar as diferenças entre o PT e o PSDB. Dizem: “Ah, é a mesma coisa!”. Não, não é a mesma coisa. Eu não vou falar na diferença de comportamento ético, que também existe. Há uma diferença na visão do que é o Brasil e como é que nós queremos um Brasil melhor. O PT manteve a ideia antiga de que é o partido que toma conta do governo, que toma conta do estado, que muda a sociedade. É uma coisa autoritária. Nós achamos que o partido ajuda a eleição e que o governo é para governar para os brasileiros, com os brasileiros. O estado é independente do governo, e a sociedade muda no diálogo, em que ela própria tem uma força muito grande. Não é arregimentando partido para controlar os núcleos da sociedade. Então, a nossa visão política é diferente.

Esse discurso significa que não há espaço para a nova política?
A nova política não ficou caracterizada. Eu vi a Marina falando: “São modos corretos de se fazer política”. Eu concordo, mas não é sem partido que se faz isso. Dava a impressão de que essa nova política implicava em não haver partidos. Isso não pode, na democracia tem de haver partidos. Agora, que os partidos precisam se comportar de forma mais correta, disso não há dúvida. Marina não conseguiu mostrar isso claramente. Ela disse: “Vou governar com os bons”. Ora, não é só com os bons, tem bons e maus dos dois lados. Qual é a política dos bons? Você pode ter divergência política a despeito de ser bom, correto etc. Isso é indiferente. Ela ficou numa coisa que parece não ter pegado o nervo da política. Há interesses e valores. Quais são os interesses e os valores, além do comportamento? Ficou só no comportamento: quem se comporta bem é da nova política. Não é assim. A pessoa pode ser correta e estar fazendo uma política com a qual eu não concordo. Há diferenças reais na política, e a Marina parece ter botado isso de lado, nas nuvens sonháticas

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