‘O governo está fraco e o impasse vai durar’

‘O governo está fraco e o impasse vai durar’

Sonia Racy

03 de fevereiro de 2016 | 01h40

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Na volta do Legislativo ao trabalho, 
cientista político da FGV-Rio
diz à coluna que crises não serão superadas
e que os políticos sabem
que Dilma não tem força para
realizar o que promete

Foi uma tarde de plenário cheio, discursos, aplausos e vaias, mas a reabertura do Congresso, ontem, na avaliação do cientista político Carlos Pereira, aponta para “um impasse, uma completa incerteza, que vai durar pelos próximos meses”. É um cenário em que o governo “perdeu a capacidade de unir e dirigir sua base” e o mundo político vai “empurrar com a barriga seus dilemas, até se definir o que vai acontecer com o governo”.

Professor de Administração Pública na FGV-Rio, Pereira adverte que “o impeachment de Dilma ainda não está descartado” e que a Lava Jato “é, nisso tudo, um fator imponderável”.

O Legislativo voltou ontem à ativa num cenário de crise. O que acha que vai acontecer?
Não vai acontecer nada no Congresso nem na política até que se defina o que vai ocorrer com o governo. Hoje ele não tem capacidade de unir ou dirigir sua base política para lado nenhum. Apostou contra Cunha e ficou refém de Renan. Perdeu os meios para barganhar e promete coisas que não tem força para realizar.

Mas a política dificilmente fica parada. O que imagina que vem a seguir?
Tanto o processo de Dilma — no TSE e no Congresso — quanto o de Cunha no STF devem ser lentos. O Supremo vai se reunir para julgar os embargos apresentados por Cunha – e se algum ministro decide mudar de opinião sobre voto aberto ou fechado para decidir o impeachment de Dilma em plenário, a situação muda bastante. E junte nisso o envolvimento de Lula em novas denúncias e o imponderável da Lava Jato. As pautas no Congresso, com projetos de recuperação da economia, serão levadas com a barriga.

Cunha ou Dilma, quem corre mais risco de ser afastado?
Acho que, se Cunha sair, Dilma também sai. A economia não vai melhorar tão já. A temperatura sobe se as manifestações do 13 de março forem fortes. O governo vive há tempos em um “sub judice político”.

Acha que Lula consegue evitar que causem prejuízos aos seus planos?
Ele está enfraquecido, mas não está morto. Seu risco maior será se ele vier a sofrer alguma consequência judicial. / GABRIEL MANZANO

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