‘O governo é tenebroso com o meio ambiente’, afirma Leandra Leal, que vive ambientalista em Aruanas

‘O governo é tenebroso com o meio ambiente’, afirma Leandra Leal, que vive ambientalista em Aruanas

Marcela Paes

06 de dezembro de 2021 | 04h00

Leandra Leal. Foto; Guilherme Burgos

Vivendo pela segunda temporada, a ativista Luiza, em Aruanas (Globoplay), Leandra Leal guarda similaridades com a personagem. A atriz de 39 anos vê o tema do meio ambiente como um dos mais importantes a serem discutidos no momento e coloca o ativismo como uma de suas paixões. No início da pandemia, criou uma campanha com o marido, o fotógrafo Guilherme Burgos, para incentivar a vacinação. Também costuma falar sobre questões como o racismo, assunto sobre o qual aprendeu ainda mais depois de ter adotado sua filha, Julia.

“Sempre me considerei uma pessoa consciente, antirracista. Mas, de fato, uma coisa é você entender o quanto uma sociedade igualitária vai ser benéfica para todo mundo, outra coisa é você estar ao lado de alguém que sofre as consequências”, disse à repórter Marcela Paes, por videoconferência. Leia abaixo a entrevista.

Como é fazer uma série como Aruanas, que fala sobre temas importantes como o meio ambiente?

Desde a primeira temporada Aruanas é super relevante. Ela coloca temas que movem a minha vida, como o ativismo. Na primeira temporada a gente focou muito nesse imaginário da Amazônia. Na segunda, ela é focada na cidade e questiona nosso modelo de desenvolvimento, de habitação. Acho que estamos no limite para transformar essa relação com o meio ambiente.

O que acha da atuação do governo nesse sentido?

O que o governo faz com o meio ambiente é tenebroso. Há o desmanche de órgãos, o desrespeito com pessoas que estão ali há muito tempo. Vai ser muito difícil reconstruir. Eu lembro que em 2018 a coisa que mais me alarmava era isso. Vai ser tudo muito cruel (esse governo), mas conseguimos reconstruir. Agora, qual será a dimensão dos estragos no meio ambiente, na floresta?

Durante a pandemia você se casou, parou de fumar. Foram grandes mudanças. Como foi para você?

Parei de fumar e isso foi muito bom. Eu tinha o objetivo de não entrar fumando nos meus 40 anos, que faço no ano que vem. A pandemia é uma tragédia que ainda estamos vivendo e que vai deixar sequelas. Mas, dentro da minha bolha de privilégios, consegui ter reflexões muito importantes para a minha vida. Foram coisas positivas. Isso pode parecer clichê, mas eu realmente me permiti investigar mecanismos da minha vida. Por parar de fumar eu acabei engordando e agora estou lidando com isso também, tentando fazer mais exercício. De qualquer maneira, isso é pequeno perto do que se perdeu. O meu encontro com o Gui foi muito feliz. Já fui casada outras vezes e nunca fiquei tanto tempo com alguém no mesmo lugar, porque durante a pandemia é uma coisa radical, né?

É intenso.
Você fica 24 horas com a pessoa. No caso, eu com ele e com a minha filha também. Mas nós aproveitamos para fazer projetos juntos. Também teve o filme que eu fiz com a minha mãe.

Como é o filme?

É o Nada a Fazer, um documentário. Sou eu e a minha mãe (a também atriz Ângela Leal). Ensaiamos e rodamos durante o isolamento. É um filme sobre a nossa relação e sobre a transformação que passamos dentro desse confinamento, a aproximação que a gente se permitiu ter de novo.

Como surgiu a ideia da campanha sobre o uso de máscaras?
Eu estava muito indignada, acho que a segunda onda foi uma das piores fases pra mim, foi algo de fundo emocional. Fiquei desencantada e muito enlutada. Queria contribuir de alguma forma, aí eu e o Gui reunimos gente que também queria ajudar e fizemos.

Você já disse em entrevistas que depois de ter adotado a Julia aprendeu mais sobre racismo. Como é isso?
Sempre me considerei uma pessoa consciente, sempre me considerei uma pessoa antirracista. Mas, de fato, uma coisa é você entender o quanto uma sociedade igualitária vai ser benéfica para todo mundo, outra coisa é você estar ao lado de alguém que sofre as consequências.

 

 

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