‘O desafio é colocar infra em 300 trajetos’, diz responsável por carnaval de rua em SP

‘O desafio é colocar infra em 300 trajetos’, diz responsável por carnaval de rua em SP

Sonia Racy

02 de março de 2019 | 00h55

ALEXANDRE MODONESI. FOTO: GUILHERME LEFEVRE

ALEXANDRE MODONESI. FOTO: GUILHERME LEFEVRE

O carnaval de rua na cidade de SP está mais descentralizado, seguindo os planos de Alexandre Modonezi, secretário das Subprefeituras. Este ano, a folia chega a 29 das 32 prefeituras regionais. “O desafio é colocar infraestrutura nos mais de 300 trajetos”, explica. “Há um produtor em cada trio elétrico e instalações médicas.”

O carnaval de rua está chegando a novas regiões da cidade?
A gente está conseguindo levar o carnaval a outras regiões mais afastadas. De 32 subprefeituras, estamos com o carnaval em 29. São nove a mais que no ano passado. A cidade também deu apoio a blocos comunitários – de até 4 mil pessoas – que vão receber da Prefeitura o carro de som e o apoio de ambulância e dos bombeiros.

O sr. vê o carnaval de rua como patrimônio cultural de SP?
É sim um patrimônio cultural. Contribui na incorporação da cidade para a economia criativa. Na rede hoteleira, por exemplo, temos uma lotação de 92%. É uma novidade. Sempre fomos a capital do turista, mas era o turista executivo. Nesses dias, passamos também a ser uma cidade de lazer.

Balanço da secretaria estipulava crescimento do número de desfiles. Isso está acontecendo?
Sim, se concretizou. Temos hoje 516 blocos e 556 desfiles em mais de 300 trajetos. Você percebe uma descentralização das festas, o que diminuiu a concentração nos locais.

Que cuidados a Prefeitura teve para dar conta do crescimento?
O grande desafio é colocar infraestrutura nesses mais de 300 trajetos. Tem que ter um produtor em cada trio elétrico. Instalações médicas para quem eventualmente precisar. Fechamos com a maior OS (organização social) de saúde do País – a SPDM. No pré-carnaval, conseguimos resolver quase todos os problemas sem ter que enviar o paciente para o hospital. De 800 atendimentos, só 46 precisaram de remoção. Mas tem que ter equipamentos para dar conta do acompanhamento de um pronto atendimento. Montamos uma estrutura para não lotar os hospitais.

O que os patrocinadores podem e não pode fazer?
Foi autorizada a distribuição de brindes úteis, como pochetes e sacolas térmicas. Proibimos material de papel, para que não joguem no chão. A Skol, por exemplo, distribui óculos de sol, e depois o pessoal fica com eles, não joga no chão. Leques de papel foram vetados. Ainda assim, retiramos 228 toneladas de lixo no pré-carnaval. Esse foi o primeiro ano em que foi feita reciclagem, com cooperativas, ao invés de se colocar o lixo em aterro. A operação passa a madrugada fazendo a limpeza, para tornar a cidade limpa o mais rápido possível para todos os moradores.

Que tipo de licitação deu certo?
A cidade assumiu toda a organização e a empresa que venceu a licitação, a marca Skol, da Ambev, investiu R$ 16,1 milhões. Outras duas empresas, iFood e Uber, são suas parceiras. /PAULA REVERBEL

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