“O debate sobre o Brasil e o mundo vai acontecer em várias mesas”

“O debate sobre o Brasil e o mundo vai acontecer em várias mesas”

Sonia Racy

25 de julho de 2018 | 00h34

Joselia Aguiar

Em seu segundo ano à frente da curadoria da Flip – que começa hoje, em Paraty – Joselia Aguiar está otimista com a festa. Mesmo com queda significativa no orçamento – R$5,3 milhões este ano; em 2014 chegou a R$8,5 milhões –, o evento continua potente, segundo a curadora. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

O critério de representatividade (número de escritoras mulheres, por exemplo) é sempre questionado na Flip. Esse ano foi elogiado. É uma preocupação sua?

Desde o ano passado, já estamos conseguindo aumentar essa proporção. Conseguimos paridade no ano passado e neste ano conseguimos de novo. A diferença é de uma mulher a mais desta vez. No ano passado, com o impedimento de Niède Guidon, ficamos com o número igual de homens e mulheres. O porcentual de autores e autoras negros é o mesmo. Trata-se de um esforço, um compromisso. Acho que tem dado muito certo.

Estamos em ano de eleição. Acredita que a política chegará às mesas da Flip?

Sim. Acho que o debate sobre o Brasil e o mundo vai acontecer em várias mesas. Os autores têm posições, têm histórias de vida. Então, mesmo que tenhamos um desenho do programa um pouco mais intimista e artístico, esse debate sobre o País vai aparecer. Quanto à programação paralela, algumas mesas serão particularmente voltadas ao debate político.

O orçamento do evento sofreu redução nos últimos anos. Isso impacta na curadoria?

Desde o ano passado, a Flip teve de fato esse recuo. Este ano, um pouco maior em relação a 2017. Não tem impacto significativo. Temos um número um pouco menor de autores e autoras mas acredito que a força é a mesma e vai ser uma Flip muito potente.

Fala-se muito que as novas gerações leem menos. No entanto, jovens participam cada vez mais de manifestações literárias. Como avalia esse fenômeno?

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” mostra um aumento de leitores no País. Mesmo que pequeno, o número de pessoas que leem vem crescendo. Eu diria que os jovens estão muito interessados, não apenas em participar desses saraus mas em produzi-los também. Hoje, as oficinas de escrita criativa revelam muitos jovens autores nas periferias. Eu sou uma pessoa otimista. Acho que vamos aumentar o número de leitores.

Quais são as grandes apostas do evento?

É uma pergunta difícil, porque acho que todos os 33 autores e autoras são incríveis. MARILIA NEUSTEIN