‘O caminho é acolher todo mundo’

‘O caminho é acolher todo mundo’

Sonia Racy

27 de fevereiro de 2020 | 00h50

ALOK EM SALVADOR. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Após reunir mais de 500 mil foliões em sua estreia no carnaval paulista, Alok desfilou, pelo terceiro ano, seu trio, sábado, no animado carnaval de Salvador, no circuito Barra – Ondina. A coluna, o DJ disse: “Não cresci participando dessas festas, pois havia uma contracultura entre o eletrônico e o carnaval.” Confira entrevista a seguir.

Você levou mais milhares de pessoas às ruas em Salvador, mas já disse em entrevista que não gostava de carnaval. Mudou essa concepção?
Descobri o carnaval de uns 5 anos pra cá e tem sido uma experiência incrível. Eu não cresci participando dessas festas, pois havia uma contracultura entre o eletrônico e o carnaval. Mas hoje isso mudou, com a abertura de novos leques com sonoridades diferentes. Isso acaba trazendo foliões diferentes e deixando a coisa mais democrática, pois o eletrônico não está tirando o axé ou o samba, ritmos da essência, mas sim trazendo mais. Acho que o mundo está mudando, o Brasil está mudando e a nova geração mudou. O caminho é acolher todo mundo.

Qual a diferença entre se apresentar em festivais especializados, para um público de música eletrônica, e no Carnaval, em que o foco é outro?
Há dinâmicas diferentes para cada set. No Tomorrowland, por exemplo, eu toco um set mais segmentado. No Rock In Rio, é um mais pop. Já no carnaval. é um cenário de folia, diferentes tribos, multicultural; eu acabo levando outras sonoridades.

Consegue aproveitar um pouco da festa? Assistir aos desfiles? Tem uma escola de samba preferida?
Eu curto o carnaval tocando, amo levar alegria às pessoas e acho que com a música a gente consegue unir todo mundo num só propósito. Sobre escola de samba não tenho uma preferida, mas admiro muito o amor e dedicação que todas as pessoas têm nessa representação da comunidade; é lindo de ver.

Qual o pior e o melhor aspecto do carnaval para você?
Acho que a falta de respeito em qualquer aspecto é desagradável, não só no carnaval. Então a minha mensagem pra essa época tem tudo a ver com o tema do meu carnaval 2020: ‘Liberte seu melhor’. Quero dizer que podemos nos desconectar dos problemas, sermos felizes, curtir e liberar o que há de melhor em nós.

Você foi o único artista brasileiro indicado ao Dance Music Awards. Como se sente em relação a prêmios? É uma vitrine para a música eletrônica do Brasil? 
É gratificante receber uma indicação como essa porque envolve benefícios pra cena nacional como um todo, além de estar ao lado de muita gente inspiradora. Ainda fiquei muito feliz em ver uma brasileira concorrendo também, a Anna, representando as mulheres e agregando muito à cena nacional e internacional./MARCELA PAES

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