‘O balé clássico necessita de palco’, afirma Ana Botafogo sobre a volta dos espetáculos presenciais na pandemia

‘O balé clássico necessita de palco’, afirma Ana Botafogo sobre a volta dos espetáculos presenciais na pandemia

Sonia Racy

27 de novembro de 2020 | 00h45

Ana Botafogo. Foto: Rodrigo Lopes

Enquanto grandes companhias de balé clássico de Nova York deixaram de fazer apresentações neste fim de ano por causa da pandemia, o grupo Cisne Negro decidiu levar ao palco do Teatro Santander, em São Paulo, o segundo ato de A Magia do Quebra-Nozes. Bailarina e professora, Ana Botafogo narra o espetáculo amanhã e domingo. Ela afirma que essa iniciativa em tempos de covid-19 é muito importante para a área cultural: “O balé clássico necessita de palco, de espaço para contar histórias. Esse clássico precisa de público presente, inclusive para ouvir a brilhante música composta por Tchaikovski. A volta de apresentações presenciais não é só importante para os bailarinos, mas também para o público”.  

 Após nove meses longe da plateia, a São Paulo Companhia de Dança também tem espetáculo presencial marcado amanhã em teatro com 200 lugares em Araras no interior paulista e se apresentou no Alfa na capital com 40% da capacidade no final de semana passado.

 Aos 63 anos, Ana hoje tem o papel de estimular a dança: “Os bailarinos que conseguirem manter a disciplina na pandemia, ensaiando em casa, vão voltar para os palcos, mas muita gente não conseguiu. É difícil”. 

 A exibição do Quebra-Nozes será limitada a 50% da capacidade do teatro e, segundo Botafogo, a procura pelos ingressos é grande. “Há possibilidades inúmeras na telinha, mas ver ao vivo bate dentro da gente, no nosso coração muito diferente”, diz Ana, lembrando que o ano foi pesado, de muitas perdas. Somam 20 os bailarinos no palco. Os solistas? Marcia Jacqueline e Cícero Gomes. O espetáculo faz parte do Festival Cortinas Abertas. 

Dany Bittencourt, diretora do Cisne Negro, conta que resolveu fazer só o segundo ato porque as coreografias mantêm certo distanciamento mas não descartou um Grand Pas de Deux, momento onde um bailarino conduz e sustenta o outro. Também deixou a Valsa das Flores. “Todos os artistas foram testados contra o vírus e estão evitando aglomerações para termos uma temporada tranquila”, afirma. O espetáculo segue para o Alfa nos dias 18 19 e 20 de dezembro./ PAULA BONELLI

 

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