O “10” e o nota dez

O “10” e o nota dez

Sonia Racy

10 de maio de 2014 | 01h10

Foto: Iara Morselli/Estadão

Pelé ainda não decidiu o que fazer com os R$ 300 mil que vai ganhar por ter sido campeão das Copas de 1958,1962 e 1970. O benefício está previsto na Lei Geral da Copa, de 2012, e foi validado pelo Supremo Tribunal Federal na quarta-feira. “Fui um dos que trabalharam para que os jogadores tivessem direito ao prêmio. Essa reivindicação começou quando eu ainda era ministro do Esporte. Acho que os jogadores brasileiros foram e são os que mais fizeram e continuam fazendo promoção do nosso País. Então, nada mais justo do que serem premiados com essa aposentadoria”, afirmou o Rei do Futebol à coluna, durante sessão de autógrafos do Collector’s Book 1283, fotobiografia do atacante lançada pela Editora Toriba.

Além do prêmio, os atletas das seleções brasileiras campeãs dos três mundiais também terão direito a pensão mensal. Em junho do ano passado, a Procuradoria Geral da República pediu a suspensão de três artigos da Lei Geral da Copa, entre eles o que autoriza o pagamento dos prêmios.

Uma das imagens de 1283 – referência ao número de gols que Pelé fez na carreira – é de 1958, na Suécia, na qual o Rei aparece vestindo um agasalho da seleção brasileira. “Viu como o Pelé era bonitinho? Estava com 17 anos, mas parece que foi ontem.”

À época, ele tinha como parceiros de seleção jogadores mais experientes, como Didi, Bellini, Nilton Santos e Zito. O que pode, na opinião de Pelé, fazer falta ao atual time de Felipão. “Muitos dos convocados estão jogando pela primeira vez um Mundial. Se tivesse um Robinho, um Kaká no grupo, talvez ajudasse muito. Mas qualidade por qualidade, o Brasil tem muita. Daria para fazer duas seleções, sem dúvida.”

O que também anda preocupando o Rei é o ataque da seleção. “É a primeira vez que isso acontece: a defesa está ótima, bem arrumada, mas, no ataque, o Felipe ainda tem dificuldade. Conversei com o Parreira e ele falou que o ataque não está mesmo tão forte. Estamos esperando para ver o Neymar, que é a grande esperança. Mas é a primeira Copa dele.”

Na manhã do mesmo dia em que recebia homenagens, Pelé perdeu um de seus grandes amigos: Jair Rodrigues, santista roxo. Os dois se conheciam havia mais de 50 anos. Jair, inclusive, gravou músicas compostas pelo Rei: Recado à Criança, de 1968; Cidade Grande, de 1981; e Violeiro, Violeiro, de 1982. “O Jair era como se fosse um irmão pra mim. Mas, infelizmente, a vida é assim. Mais cedo ou mais tarde, a gente tem de pedir para Deus nos dar calma e tranquilidade. Todos temos de ir, né?”

Se pudesse escolher um dos 1.283 gols para dedicar ao cantor, qual seria? “Poxa, o Jair era como se fosse da família. Acho que escolheria o de número dez, porque ele sempre foi dez, sempre foi amigo da gente.” /THAIS ARBEX

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