‘Nunca tivemos área vip. Não segmentamos’, diz criador do festival Meca

‘Nunca tivemos área vip. Não segmentamos’, diz criador do festival Meca

Sonia Racy

05 Julho 2017 | 00h45

Foto: Iara Morselli

Na festa de Rodrigo Santanna não existe área vip, backstage disputado e muito menos preço diferenciado para homens e mulheres. “Nossa intenção é questionar os padrões e educar as próximas gerações”, explica o gaúcho – idealizador do Meca, festival multicultural que acontece sexta, sábado e domingo, pela segunda vez no Instituto Inhotim. A organização espera receber 8 mil pessoas para o evento em Minas Gerais. Jorge Ben Jor e Karol Conka vão dividir as atenções dos participantes com as visitas guiadas às obras, uma novidade deste ano. Conversamos com Rodrigo sobre o conceito do Meca, que passou de festival a plataforma multicultural, com sede em Pinheiros e que tem agora até jornal próprio.

Qual é o recado que o Meca quer passar?
Quando começamos, lá em 2011, no litoral gaúcho, criamos um manifesto um pouco romântico, mas que dá um norte à mensagem que queremos passar. E a mensagem é: “Produzimos eventos em que gostaríamos de ir, geramos o conteúdo que gostaríamos de consumir, criamos produtos que gostaríamos de comprar, nos relacionamos com marcas e pessoas com que gostaríamos de conviver”.

Como aconteceu a parceria com o Instituto Inhotim?
Nossa intenção é nos tornarmos uma plataforma global. Não queremos expandir para fora do Brasil, mas criamos projetos interessantes para trazer o público de fora para cá. Claro que a parceria com o Inhotim é muito importante para chamar a atenção dos estrangeiro. O centro de arte já é, por si só, a maior atração do nosso line-up.

Esperam receber quantos ‘gringos’ nesta edição?
Acredito que 10% dos participantes deste ano são gringos.

Ontem foi decretado pelo Ministério da Justiça que cobrar preços diferentes para mulheres e homens nas entradas das baladas é ilegal. Como o Meca se posiciona sobre essa questão?
No Meca nunca teve ingresso diferenciado para homens e mulheres. O festival é feito por pessoas de mente aberta, para pessoas também de cabeça aberta. Outra coisa que nunca tivemos foi área vip, não segmentamos a experiência pelo poder econômico dos participantes. Também não fizemos o backstage tornar-se um lugar desejado e badalado, lá os artistas estão na mesma energia vivida pela plateia. Muitos acabam o show e vão assistir ao próximo no meio do público. /SOFIA PATSCH